Ciência brasileira: Polilaminina abre caminho para a reversão da paralisia
A pesquisa liderada pela Dra. Tatiana Sampaio, da UFRJ, utiliza proteína derivada da placenta para estimular a regeneração de conexões nervosas em pacientes com lesões medulares graves. Essa descoberta reúne três décadas de pesquisa nos laboratórios da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pode representar um avanço histórico na medicina regenerativa.
A polilaminina, substância capaz de estimular a regeneração de axônios em neurônios maduros, abre uma perspectiva concreta de recuperação para pessoas com paraplegia e tetraplegia. Durante décadas, a medicina considerou as lesões na medula espinhal irreversíveis, uma vez que os neurônios do sistema nervoso central apresentam capacidade limitada de regeneração após traumas.
O “elo perdido” da regeneração neural
A polilaminina atua como uma espécie de “ponte biológica”. Derivada da laminina — proteína abundante na placenta humana, sua versão polimerizada forma uma malha estrutural que orienta o crescimento das células nervosas. Na prática, essa estrutura cria um ambiente favorável para que os axônios voltem a crescer, permitindo que impulsos elétricos atravessem áreas anteriormente lesionadas da medula.
Os resultados iniciais são considerados animadores, com pacientes apresentando recuperação motora e sensibilidade após a aplicação da substância diretamente na medula. Alguns pontos importantes incluem:
- Recuperação motora: pacientes que apresentavam quadros de paralisia total voltaram a relatar sensibilidade e a realizar movimentos após a aplicação da substância.
- Resposta rápida: em casos agudos, sinais iniciais de sensibilidade surgiram em menos de 48 horas após o procedimento.
- Lesões crônicas: o tratamento também demonstrou avanços em pacientes com lesões antigas, embora o potencial de recuperação seja maior quando a intervenção ocorre logo após o trauma.
O projeto é resultado de parceria entre a UFRJ e o laboratório nacional Cristália. Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a ampliação dos testes clínicos — etapa essencial para que o tratamento possa futuramente ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à rede hospitalar.
A Dra. Tatiana Sampaio mantém postura cautelosa, afirmando que “não vendemos ilusões, trazemos evidências”. O foco atual é estabelecer protocolos seguros de dosagem e compreender os limites da substância em diferentes tipos de lesões e cicatrizes medulares. Se os resultados forem confirmados em larga escala, a polilaminina poderá representar um dos maiores avanços da ciência brasileira no campo da neuroregeneração.
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