China Avança na Criação de Mecanismos Financeiros na África
A China tem ampliado sua infraestrutura financeira na África, visando reduzir sua dependência do dólar. Isso permite que bens e serviços sejam comercializados utilizando as moedas africanas e a chinesa, o yuan. Essa movimentação é parte de uma estratégia mais ampla para promover a “desdolarização” da economia mundial.
Recentemente, o Banco Central da China autorizou o pagamento com yuan diretamente no Standard Bank, o maior grupo bancário do continente africano, em parceria com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC). Essa parceria coloca o Standard Bank em uma posição única para lidar com o renminbi chinês (RMB), facilitando pagamentos e recebimentos em RMB para liquidações comerciais entre a África e a China.
Comércio entre China e África
A China é atualmente a principal parceira comercial da África. Entre 2000 e 2024, o crescimento médio do comércio entre o continente e a China foi de 14% ao ano, segundo a Administração Geral de Alfândegas (GAC) da China. Além disso, a China decidiu isentar taxas de importações de produtos africanos, o que deve reforçar o comércio entre o gigante asiático e a África.
No entanto, o uso do yuan ainda é minoritário no continente africano. O analista geopolítico Marco Fernandes destaca que a China vem construindo uma infraestrutura capaz de comercializar no continente sem precisar usar o dólar, mas o montante negociado em yuan é ainda irrelevante considerando o tamanho da economia global.
Desdolarização e Hegemonia do Dólar
A “desdolarização” da economia mundial é uma das agendas do Brics, um grupo de países do Sul Global que inclui Brasil, China, Índia, África do Sul, entre outros. A hegemonia do dólar concede vantagens econômicas e políticas aos Estados Unidos, e a “desdolarização” visa reduzir esse poder.
No entanto, a China não tem interesse em uma desdolarização imediata, pois tem muitas reservas em dólar e tenta manter o valor da sua moeda para preservar a competitividade das exportações chinesas. Além disso, Pequim evita abrir sua conta de capitais para não expor o sistema financeiro chinês às turbulências da especulação global.
Uma alternativa ao dólar é a criação de uma nova moeda de reserva para o comércio internacional, formada por uma “cesta” de moedas dos países do Sul Global. Essa proposta foi apresentada pelo economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do banco do Brics.
Em resumo, a China avança na criação de mecanismos financeiros na África, visando reduzir sua dependência do dólar. No entanto, o uso do yuan ainda é minoritário, e a “desdolarização” da economia mundial é um processo lento e gradual. A criação de uma nova moeda de reserva para o comércio internacional pode ser uma alternativa ao dólar, promovendo mais justiça e reduzindo o poder político e econômico dos EUA.
- A China está ampliando sua infraestrutura financeira na África para reduzir sua dependência do dólar.
- O uso do yuan ainda é minoritário no continente africano.
- A “desdolarização” da economia mundial é uma das agendas do Brics.
- A criação de uma nova moeda de reserva para o comércio internacional pode ser uma alternativa ao dólar.
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