Cenário de ‘tempestade perfeita’ para alimentos preocupa e é risco também para 2027
O cenário econômico atual está apresentando um novo desafio para o controle da inflação, especialmente no setor de alimentos. Além dos efeitos da guerra, que têm impactado os preços dos combustíveis, os alimentos estão se tornando uma fonte de pressão inflacionária maior do que o previsto para este ano e o próximo.
Segundo economistas, a dinâmica benigna dos alimentos observada em 2025 pode dar lugar a dois anos seguidos de alta acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Isso pode impor ainda mais dificuldade à tarefa do Banco Central de trazer o indicador à meta de 3%.
Os principais fatores que contribuem para essa situação são:
- Intempéries climáticas, como o El Niño, que pode causar uma “tempestade perfeita” para a inflação;
- A escalada dos preços de fertilizantes causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã;
- A probabilidade de um El Niño forte em 2026, que coincidiria com o período seco na região Sudeste.
Esses fatores podem adicionar até 2 pontos porcentuais à alta do IPCA no acumulado do biênio. Além disso, a parte de alimentação e bebidas representa mais de um quinto (21,3%) do IPCA, o que significa que qualquer aumento nos preços dos alimentos terá um impacto significativo na inflação geral.
Os economistas estão preocupados com a dinâmica dos alimentos no próximo ano, especialmente com o efeito adicional de fertilizantes que pode afetar a safra 2026/2027. Caso o El Niño de fato escale para forte, coincidindo com o déficit hídrico na fase crítica do milho da segunda safra, e o câmbio se depreciar, haverá um impacto de 0,39 a 0,49 ponto na inflação ao mês.
Em resumo, o cenário de “tempestade perfeita” para alimentos preocupa e é um risco também para 2027, com os principais fatores sendo as intempéries climáticas, a escalada dos preços de fertilizantes e a probabilidade de um El Niño forte.
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