Câmbio Favorável e Exportação de Petróleo: Um Colchão Contra a Inflação?
A desvalorização do dólar e as exportações de petróleo têm sido apontadas como fatores que estão ajudando a amenizar o choque inflacionário decorrente do conflito no Oriente Médio. Com o petróleo operando próximo a US$ 110 o barril, o Brasil se beneficia dessa alta porque atrai um grande fluxo de dólares por ser exportador da commodity.
Essa entrada de divisas, por sua vez, valoriza o real e, em tese, barateia as importações, criando um “colchão” contra a alta internacional. No entanto, na prática, essa dinâmica tem falhado em conter toda pressão inflacionária. Economistas ouvidos pelo InfoMoney avaliam que o câmbio tem ajudado, mas não resolve o problema qualitativo da inflação.
Limites do Alívio Cambial
Andréa Ângelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, aponta que a valorização do câmbio ainda não surtiu o efeito esperado no alívio dos bens industriais, que normalmente são os primeiros a registrar essa descompressão. Além disso, a malha logística brasileira é massivamente rodoviária, o que significa que o petróleo caro encarece o diesel e a gasolina, elevando instantaneamente os custos de frete e atingindo itens como carnes, leite e panificados.
Os principais pontos a considerar são:
- A valorização do câmbio não é suficiente para conter a inflação;
- A exportação de petróleo é um fator importante, mas não é o único;
- A malha logística brasileira é um obstáculo para a redução dos custos de frete;
- O choque do petróleo pode se espalhar para os núcleos de inflação.
Diante disso, os economistas estão avaliando o impacto da extensão do conflito no Oriente Médio e o risco adicional estimado para o IPCA. Caso o conflito se prolongue, o risco adicional estimado para o IPCA é de +0,35 ponto percentual, o que pode levar a inflação de 2026 a saltar para 5,20%.
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