Braskem: JPMorgan Eleva Recomendação com Aposta em Recuperação e Margens
O JPMorgan elevou a recomendação para as ações da Braskem (BRKM5) para overweight, refletindo a melhora dos fundamentos de mercado, oferta mais restrita e fortalecimento da governança corporativa após a reestruturação societária. Com isso, os ativos subiram 5,76%, a R$ 9,73.
Segundo o banco, a Braskem deve apresentar um desempenho mais forte em 2026, à medida que desafios globais e restrições logísticas no Oriente Médio reduziram a oferta de petroquímicos e favoreceram a recuperação das margens. A expectativa é de que a normalização da cadeia petroquímica leve vários meses, diante das interrupções em instalações e do aumento dos prazos logísticos.
Projeções para 2027 e Medidas de Apoio à Indústria Química
Para 2027, o JPMorgan projeta que o desempenho financeiro da companhia retorne a níveis considerados de “meio de ciclo”, embora os impactos duradouros do conflito geopolítico e os ajustes na cadeia de suprimentos ainda sejam variáveis importantes.
O JPMorgan também avalia que a Braskem deve ser beneficiada pelos avanços recentes no marco de apoio à indústria química brasileira, voltados para melhorar a competitividade dos produtores locais diante do excesso de oferta global e da pressão de importações. Algumas das medidas destacadas incluem:
- Programa de Investimentos do REIQ, que concede crédito presumido de PIS/Cofins de 1,5% vinculado a investimentos na indústria química brasileira;
- Lei Complementar nº 228, que ampliou o benefício do REIQ de 0,73% para 5,8%, por meio de créditos de PIS/Cofins sobre matérias-primas utilizadas pela indústria química e petroquímica;
- PRESIQ, criado pela Lei nº 15.294/25, com incentivos fiscais voltados tanto para investimentos quanto para aquisição de matérias-primas.
Essas medidas devem aliviar pressões de custos, fortalecer a competitividade da produção doméstica e apoiar os investimentos em expansão e modernização da companhia.
Reestruturação Societária e Nova Governança
A Braskem passa atualmente por uma transição societária e reestruturação de capital em meio ao cenário prolongado de spreads petroquímicos deprimidos e à elevada alavancagem da antiga controladora, a Novonor. O JPMorgan destaca que o novo acordo de acionistas estabelece um modelo de cogovernança entre IG4 e Petrobras, substituindo a antiga estrutura liderada pela Novonor.
O conselho terá 11 membros, incluindo três independentes, com representação equilibrada entre IG4 e Petrobras. As decisões estratégicas e indicações para a diretoria dependerão de consenso entre os acionistas de referência, ampliando o equilíbrio de poder e o alinhamento estratégico entre os controladores.
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