Brasil pode ampliar reserva de petróleo para 23,5 bilhões de barris na próxima década
O Brasil tem potencial para elevar seu volume de reservas provadas de petróleo dos atuais 17 bilhões para 23,5 bilhões de barris na próxima década, caso consiga ampliar a recuperação de reservatórios e aumentar os investimentos previstos em novas fronteiras.
As projeções fazem parte do Caderno Abespetro 2026, lançado recentemente no Rio de Janeiro. A entidade estima que, para o país alcançar esse marco, serão necessários investimentos de ao menos US$ 30,6 bilhões por ano.
Existem desafios, no entanto. Segundo a Abespetro, o Brasil não realizou sequer uma perfuração de poços em áreas consideradas de nova fronteira entre 2018 e 2024. Isso é diferente do observado em outras partes do mundo, como a Noruega, Guiana e Suriname, que perfuraram 32, 62 e 28 poços, respectivamente, no mesmo período.
- A Noruega perfurou 32 poços em novas fronteiras no período;
- Guiana e Suriname somaram 62 poços;
- As regiões sul e oeste da África contabilizaram 28 poços.
Para Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro, é preciso avançar na exploração até que se alcance a comercialidade de uma reserva. “Entre perfurar e iniciar a produção de um campo, levamos pelo menos dez anos. Se demorarmos doze anos a cada autorização para verificação de jazida, a situação ficará bastante crítica”, disse Ghiorzi.
Considerando as atuais reservas provadas de 17 bilhões de barris e uma produção de 5 milhões de barris por dia, as reservas brasileiras garantiriam a produção de petróleo até aproximadamente 2035. No entanto, segundo o executivo, caso as reservas adicionais sejam convertidas em reservas provadas, esse horizonte poderá ser estendido até 2042.
Além disso, Ghiorzi defende melhorias na questão regulatória, criticando, por exemplo, a tributação sobre a exportação de petróleo, e defendeu ajustes na política de conteúdo local. Segundo ele, há dois projetos de lei em tramitação no Congresso que podem alterar o caráter punitivo aplicado ao descumprimento das metas de conteúdo local, com foco em estimular mais investimentos.
O setor de petróleo e gás também gerou empregos no ano passado, com 700 mil pessoas empregadas de forma direta e indireta, número que retoma o patamar de 2010. Ghiorzi destacou a necessidade de o país manter os ciclos de leilões de novas áreas em um segmento que responde por 11% do PIB.
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