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Brasil está flertando novamente com “voo de galinha”, vê Franklin Templeton

Brasil está flertando novamente com “voo de galinha”, vê Franklin Templeton

O Banco Central surpreendeu o mercado ao indicar piora nas condições para a inflação e mesmo assim reduzir a Selic mais uma vez. Essa decisão pode flertar com um maior risco de desancorar todo o processo de controle das expectativas de inflação, segundo Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, braço da Franklin Templeton no Brasil.

Segundo Lima, foi a primeira vez que o Copom disse em seu comunicado e na ata da reunião que o balanço de riscos para a inflação apontava para alta e não subiu os juros no próprio encontro. Isso pode indicar uma confusão na comunicação do Copom, o que tem um custo de credibilidade para o banco central.

Além disso, a mudança no horizonte relevante para a meta, para o primeiro trimestre de 2028, pareceu “forçar um pouco a barra”, mesmo com a justificativa de que até lá o efeito do El Niño nos alimentos será menor. O Relatório de Inflação divulgado recentemente eleva a projeção de crescimento do PIB deste ano de 1,6% para 2,0%, o que indica uma atividade mais forte e uma demanda mais alta.

Os principais problemas para a queda dos juros são o excesso de estímulos fiscais e parafiscais, que amplia os gastos do governo. Se no ano que vem não houver uma mudança na dinâmica fiscal, a queda do juro será mais limitada e pode haver novamente o chamado “voo de galinha”, com os juros caindo e depois tendo de voltar a subir para conter a inflação.

  • A situação econômica não está tão ruim, a inflação está controlada e a população não cobra uma mudança na política econômica.
  • Os candidatos à Presidência não devem querer discutir medidas de cortes de gastos durante a campanha, o que deve manter as incertezas por mais tempo.
  • A eleição no Brasil aumenta a volatilidade da moeda, o que pode pressionar o câmbio.

Diante disso, o economista espera maior pressão de alta no câmbio por conta da eleição. No entanto, não vê o real muito apreciado, o que limitaria espaço para desvalorização. O risco maior é o dólar se fortalecer lá fora e pressionar aqui.

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