Brasil Condena Ação dos EUA na Venezuela
O Brasil expressou forte oposição à operação realizada pelos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Em uma reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador Benoni Belli classificou a ação como um “sequestro” e afirmou que ela viola a soberania da Venezuela.
Segundo o diplomata, os bombardeios em território venezuelano e a retirada forçada de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, são uma afronta direta à soberania do país e ameaçam a estabilidade regional. Belli também destacou que o episódio reabre feridas históricas na América Latina, lembrando as intervenções conduzidas por Washington ao longo do século 20.
Violação do Direito Internacional
O representante brasileiro argumentou que a operação dos EUA contraria normas centrais do sistema multilateral, ferindo tanto a Carta das Nações Unidas quanto compromissos firmados no âmbito hemisférico. Ele citou a resolução 297 de 2025 da Comissão Jurídica Interamericana, que reforça a proibição do uso da força entre Estados, exceto nos casos expressamente previstos pela ONU.
Além disso, o embaixador sustentou que a crise venezuelana só pode ser resolvida por meio de um processo político interno, conduzido pelos próprios venezuelanos. Para ele, intervenções externas corroem o edifício multilateral e colocam em risco não apenas a autonomia dos países, mas também a dignidade nacional.
- A operação norte-americana ocorreu no sábado (3) e levou Maduro e Cilia Flores para Nova York, onde respondem a acusações de narcotráfico.
- Na segunda-feira (5), o ex-presidente se declarou inocente diante da Justiça dos Estados Unidos.
- O episódio provocou reações imediatas no cenário internacional, com críticas abertas de países da América do Sul e também de potências como Rússia e China à intervenção militar.
O Brasil pretende atuar para preservar a tradição regional de solução pacífica de conflitos, destacou o embaixador. A posição do Brasil reflete a preocupação com a estabilidade regional e a importância de respeitar a soberania dos países.
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