BCs adotam tom “hawkish” ao se reunirem à sombra da guerra
Os bancos centrais dos Estados Unidos, Canadá e Japão adotaram um tom “hawkish” em suas reuniões recentes, embora em graus variados, devido ao aumento dos preços da energia causado pela guerra contra o Irã. Essa decisão foi tomada após uma semana crucial de reuniões das autoridades monetárias globais.
Após a invasão da Rússia na Ucrânia em 2022, os bancos centrais têm lutado contra um pico de inflação liderado pelas commodities. Agora, eles estão mais uma vez andando na corda bamba, tentando controlar as pressões sobre os preços sem tirar o crescimento dos trilhos.
Decisões dos bancos centrais
O Federal Reserve, o Banco do Canadá e o Banco do Japão optaram por manter as taxas de juros, mas seus líderes deixaram claro que estão em alerta, desconfiados de que o aumento dos preços da energia possa desencadear uma nova onda de inflação.
- O presidente do Banco do Canadá, Tiff Macklem, disse que o Conselho Diretor analisará o impacto imediato da guerra sobre a inflação e não permitirá que os efeitos se ampliem e se tornem uma inflação persistente.
- O chair do Fed, Jerome Powell, foi igualmente cauteloso, afirmando que os preços mais altos da energia aumentarão a inflação geral no curto prazo, mas é muito cedo para saber o escopo e a duração dos possíveis efeitos sobre a economia.
- O Banco Central brasileiro foi uma exceção, iniciando um ciclo de afrouxamento com um corte cauteloso de 25 pontos-base na Selic.
As decisões foram tomadas após o banco central da Austrália elevar os juros para o nível mais alto em dez meses e alertar sobre um risco “relevante” para a inflação decorrente do aumento do preço do petróleo.
Impacto da guerra na economia
A escalada na guerra dos EUA e de Israel com o Irã abalou os investidores, enquanto o Banco do Japão tornou-se o mais recente banco central a alertar sobre o impacto dos custos de energia sobre a inflação.
Os analistas esperam que o caminho dos juros para os bancos centrais permaneça acidentado, sem um fim claro à vista para o conflito que pode prejudicar as cadeias globais de suprimentos, além de afetar os mercados financeiros e o sentimento das empresas.
Com a guerra afetando a infraestrutura essencial do sistema global de energia, o risco de estagflação aumenta, tornando a história não apenas geopolítica, mas também macroeconômica.
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