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BC esclarece decisão de cortar Selic, mas admite inflação fora da meta até 2028

Resumo da Decisão do Banco Central sobre a Selic e a Inflação

O Banco Central publicou seu relatório trimestral de inflação, esclarecendo a decisão de cortar os juros na semana passada. No entanto, o relatório também pintou um cenário desafiador para a inflação brasileira nos próximos anos, com a inflação acima da meta até 2028.

A principal contribuição do relatório foi expor, em números, o argumento do Copom para estender o horizonte relevante da política monetária do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. Isso permitiu que a projeção do IPCA caísse de 3,7% para 3,2%, levando a inflação para perto da meta sem nenhum ajuste adicional na trajetória de juros.

Análise do Relatório

De acordo com analistas, o quadro é mais difícil do que parecia, com a inflação acima da meta até 2028. O relatório do Banco Central mostra que a inflação só se estabiliza em 3,1% a partir do terceiro trimestre de 2028.

Algumas das principais conclusões do relatório incluem:

  • A dissipação do El Niño é o mecanismo central por trás da trajetória da inflação.
  • O Banco Central passou a considerar um fenômeno climático forte no cenário-base, o que pressiona os preços de alimentos nos próximos trimestres.
  • A revisão do PIB de 2026, de 1,6% para 2,0%, torna o cenário ainda mais desafiador.

O Goldman Sachs lê o relatório com ceticismo, ressaltando que a meta inalcançada mesmo no horizonte estendido que o Copom escolheu como referência representa um “foco excessivo em projeções para um 2028 distante e incerto”.

O Bradesco destaca ainda um estudo de riscos de cauda incluído no relatório que reforça a assimetria do cenário. Choques de demanda e de inflação importada deslocam a distribuição de probabilidades para cima de forma expressiva, elevando as chances de inflação mais alta.

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