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Arqueólogos recriaram em 3D jogo de tabuleiro romano de 1700 anos

Arqueólogos recriaram em 3D jogo de tabuleiro romano de 1700 anos

Um jogo de estratégia disputado pelos romanos há cerca de 1.700 anos voltou a ser jogável graças à tecnologia de impressão 3D. Pesquisadores criaram uma réplica de um tabuleiro de pedra descoberto em 2019 no sítio arqueológico de Vindolanda, no norte da Inglaterra.

O tabuleiro foi encontrado em um dos mais importantes sítios arqueológicos da Muralha de Adriano e é interpretado como pertencente ao Ludus Latrunculorum, um jogo romano para dois participantes conhecido por seu caráter estratégico. A localização da descoberta chamou a atenção dos pesquisadores, já que estava entre o sistema de drenagem de uma antiga casa de banhos romana e a parede de uma oficina.

Contexto e significado

Embora o Ludus Latrunculorum costume ser associado aos soldados romanos, esse contexto sugere que o passatempo não era exclusivo dos militares. Mulheres, crianças, comerciantes, pessoas escravizadas e outros civis que viviam na comunidade ao redor da fronteira do Império Romano também podem ter participado das partidas.

Na época romana, Vindolanda reunia uma população estimada entre 1,5 e 5 mil habitantes. O assentamento abrigava militares e civis e mantinha conexões com redes de abastecimento de longa distância, evidenciando uma rotina muito mais diversa do que apenas atividades militares.

Regras perdidas

Apesar de ser um dos jogos de tabuleiro mais conhecidos da Grã-Bretanha romana, o Ludus Latrunculorum ainda guarda muitos mistérios, uma vez que nenhum conjunto completo de regras sobreviveu até os dias atuais. Arqueólogos tentam reconstruir sua dinâmica a partir de referências em textos de autores antigos, tabuleiros encontrados em escavações, peças de jogo, dados e do contexto em que esses objetos aparecem.

  • O jogo era disputado sobre um tabuleiro quadriculado, normalmente com sete a doze casas de cada lado.
  • Os participantes utilizavam peças, frequentemente interpretadas como “soldados”, para cercar as do adversário.
  • O objetivo poderia ser imobilizar o oponente ou capturar uma peça especial, às vezes descrita como um “rei”.

Réplica em 3D

Antes de o tabuleiro original seguir para uma exposição no Canadá, o Vindolanda Charitable Trust procurou a Universidade de Newcastle para produzir uma réplica da peça. Os cinco fragmentos de pedra que compõem o tabuleiro foram escaneados individualmente com um scanner portátil de alta resolução.

Em seguida, foi produzida uma réplica física utilizando PLA, um plástico biodegradável muito usado na impressão 3D. Além disso, os pesquisadores desenvolveram um modelo digital interativo que permite observar o tabuleiro em diferentes ângulos na tela.

A réplica impressa em 3D ficará disponível para atividades de divulgação científica no Museu do Exército Romano, permitindo que visitantes experimentem uma versão do antigo jogo enquanto o objeto original permanece protegido.

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