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Após prisão de Bolsonaro, governo prevê dificuldades para negociar sanções dos EUA

O governo brasileiro enfrenta desafios para negociar a suspensão das sanções aplicadas a cidadãos brasileiros pelos Estados Unidos, especialmente após a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. Interlocutores do governo brasileiro afirmam que a prisão de Bolsonaro torna ainda mais difícil obter a suspensão das sanções, mas não há sinais de que Washington pretenda adotar novas medidas punitivas.

Em meio a esse cenário, o Brasil aguarda uma resposta ao pedido de suspensão temporária da alíquota de 40% aplicada a produtos brasileiros exportados para os EUA. A proposta brasileira também prevê a reversão das sanções impostas a autoridades nacionais, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Reações nos EUA

O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, criticou a prisão de Bolsonaro, chamando-a de “provocativa e desnecessária”. Landau também atacou Moraes, responsável pela detenção de Bolsonaro, em uma rede social, chamando-o de “violador de direitos humanos”.

Já o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, não se manifestou sobre a prisão de Bolsonaro. No entanto, o governo dos EUA enviou uma resposta ao pedido de suspensão das sanções, que inclui a ampliação da lista de produtos brasileiros isentos da sobretaxa de 40%.

Negociações em andamento

O Brasil busca um acordo que encerre a sobretaxa ou amplie as exceções previstas. Houve contatos diretos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, e o chanceler Mauro Vieira se reuniu com Rubio algumas vezes.

Em um eventual acordo com os EUA, o Brasil pode ter de apresentar contrapartidas, como ajustes no processo de regulação das big techs, acesso a minerais críticos e estratégicos, compromissos em propriedade intelectual, mudanças em exigências de conteúdo local e eventuais revisões em políticas de incentivos.

  • Produtos como café e carne bovina foram beneficiados pela ampliação da lista de produtos isentos da sobretaxa de 40%.
  • Ainda assim, 22% das exportações brasileiras seguem sujeitas ao tarifaço total de 50%.
  • O Brasil segue sob investigação pela Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que permite que o Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR) investigue práticas comerciais estrangeiras consideradas “injustificáveis”, “não razoáveis” ou discriminatórias.

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