Análise: Saída dos Emirados surpreende Opep e ameaça abalar controle sobre petróleo
A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a OPEP pegou de surpresa seus parceiros de seis décadas, colocando em risco a capacidade do cartel de gerenciar os preços do petróleo. A saída do terceiro maior produtor da OPEP pode abrir caminho para uma nova disputa por participação de mercado e futuras guerras de preços.
A OPEP, que fornecia mais de 25% do petróleo mundial antes da guerra no Irã, tem influenciado os mercados de energia ao longo dos anos. No entanto, a saída dos Emirados Árabes Unidos reduzirá a capacidade do cartel de gerenciar os preços do petróleo por meio do ajuste da oferta, tornando os Emirados Árabes Unidos um agente imprevisível em um momento de mudanças sem precedentes no mercado global.
- A saída dos Emirados Árabes Unidos pode levar a uma nova disputa por participação de mercado e futuras guerras de preços.
- A capacidade da OPEP de gerenciar os preços do petróleo será reduzida.
- A Arábia Saudita, que se posiciona como guardiã do mercado global, terá que lidar com a perda de um dos membros mais influentes do cartel.
O poder da OPEP vem sendo reduzido nos últimos anos, à medida que novas produções inundaram o mercado, especialmente o petróleo de xisto dos Estados Unidos. A saída dos Emirados Árabes Unidos compromete a credibilidade do grupo, já que o país representava uma parcela significativa da capacidade total da OPEP.
A decisão dos Emirados de sair da OPEP vinha sendo construída há anos, remontando ao início da década, quando a turbulência causada pela pandemia de Covid-19 aprofundou divergências sobre política petrolífera entre Abu Dhabi e Riad. A posição dos Emirados foi moldada por uma figura poderosa: Sultan Al Jaber, diretor-executivo da Abu Dhabi National Oil Co., que frequentemente demonstrou insatisfação com as limitações impostas pelas cotas da OPEP+.
No curto prazo, a produção dos Emirados Árabes Unidos e de seus vizinhos do Golfo está sendo limitada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, deixando o resto do mundo desesperado por suprimentos e tornando as cotas da OPEP irrelevantes. No entanto, quando o fluxo de petróleo for retomado, a saída dos Emirados pode abrir caminho para uma nova disputa por participação de mercado e futuras guerras de preços.
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