Impacto do Aumento do Preço do Petróleo na Inflação
O aumento do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais está impactando a inflação e o custo de vida no Brasil, pressionando preços de combustíveis e alimentos. Um estudo do departamento de pesquisa macroeconômica do Itaú estimou que um avanço de 10% na commodity resulta em um impacto total de 0,5 a 0,7 ponto percentual (50 a 70 pontos-base) no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Isso significa que a inflação, que estava estimada em algo abaixo de 4% no início do ano, iria facilmente a algo entre 4,5% e 4,7%. O repasse já é visível na economia real, com o Boletim Focus revisando a expectativa de inflação de 2026 para 4,92%, furando o teto das projeções iniciais do ano.
Canais de Impacto
A análise do Itaú aponta que a alta para a inflação ocorre por duas vias principais: o canal direto e o canal indireto. O canal direto é sentido pelos consumidores nos preços dos combustíveis e da energia, o que reflete rapidamente nos índices de preços. Já o canal indireto é calculado sobre os custos intermediários de produção e de transporte, e tem defasagens temporais, o que torna o cálculo mais complexo.
- O canal direto gera um impacto fixo de 20 pontos-base na inflação para cada incremento de 10% no petróleo.
- O canal indireto é mais difuso ao longo das cadeias produtivas, e pode variar de 30 a 50 pontos-base no índice cheio, dependendo da metodologia utilizada.
Consequências para a Economia
A decomposição do estudo revela que aproximadamente um terço do efeito indireto total deriva do óleo diesel, refletindo os custos com fretes e transportes. Os demais derivados de petróleo respondem pela maior parcela da pressão inflacionária, evidenciando a difusão por múltiplos insumos industriais e embalagens.
O cenário-base traçado pela instituição projeta uma inflação de 5,2% ao final de 2026, considerando um preço médio do petróleo de US$ 85 por barril e uma taxa de câmbio de R$ 5,15. Isso significa que o impacto do aumento do preço do petróleo já não está mais restrito à gasolina, e se espalhou para os demais setores, tornando a inflação persistente.
O banco central deve ter maior cautela na condução do ciclo de cortes da taxa básica de juros, devido ao impacto potencial do aumento do preço do petróleo na inflação.
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link