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Algoritmos viciam? Psicólogo explica o que o excesso de telas faz com o cérebro

Algoritmos viciam? Psicólogo explica o que o excesso de telas faz com o cérebro

O uso excessivo de telas e o volume crescente de notificações não causam apenas distração, podem comprometer memória, foco e saúde mental de forma progressiva. De acordo com o psicólogo Lucas Freire, especialista em exaustão mental, os algoritmos das redes sociais exploram o sistema dopaminérgico do cérebro para manter o usuário em loop contínuo de estímulos.

Freire explica que o scrolling impulsivo que vivemos hoje é baseado nesse sistema de recompensa, mas ela gera antecipação contínua, não gera conclusão. O efeito prático é uma sensação de vazio após horas consumindo conteúdo, sem retenção, sem satisfação.

Multitarefa: uma ilusão

Um dos pontos centrais da conversa é a crença disseminada na capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. No entanto, Freire é direto: multitarefa não existe. O que acontece na verdade é que nós fazemos um ‘switch’, uma troca rápida de atenção de tarefa. Pesquisas desde os anos 1970 já apontavam isso, e o uso abusivo de telas agrava ainda mais a capacidade de manter foco por períodos prolongados.

Além disso, o psicólogo também detalhou os efeitos nas crianças e adolescentes. A introdução irrestrita de smartphones teria substituído o que ele chama de “brincar livre”, com consequências documentadas: sono desequilibrado, habilidades sociais comprometidas e aumento de transtornos de ansiedade e depressão em jovens.

Medidas práticas para reverter o quadro

Para quem quer reverter o quadro, a proposta não é um detox radical. Em vez disso, Freire sugere medidas práticas, como:

  • Remover o celular do quarto à noite
  • Estabelecer uma janela diária para o uso de redes sociais
  • Reintroduzir atividades manuais que exijam presença física, como cozinhar, desenhar e caminhar ao ar livre

Essas medidas podem ajudar a restaurar o equilíbrio e reduzir o impacto negativo do excesso de telas em nossa saúde mental.

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