Tribunal francês reabre caso do desastre aéreo do AF447
Um tribunal de apelações francês iniciará um novo julgamento sobre o desastre aéreo do voo AF447, que ocorreu em 1º de junho de 2009, matando todas as 228 pessoas a bordo. O julgamento anterior, ocorrido em 2023, inocentou a Air France e a Airbus de homicídio culposo, mas as famílias das vítimas continuam a buscar justiça.
Os investigadores franceses descobriram que os pilotos haviam lidado mal com a perda temporária de dados dos sensores de velocidade congelados, o que levou a uma estol aerodinâmico, ou queda livre, do avião. Além disso, o julgamento anterior também esclareceu as discussões entre a Air France e a Airbus sobre os problemas crescentes com os sensores, ou “sondas pitot”, que geram leituras de velocidade.
Os advogados das famílias das vítimas argumentam que houve uma ligação direta entre a negligência identificada anteriormente e o acidente. “É doloroso para as famílias reabrir tudo 16 anos depois, mas é essencial continuar e demonstrar que houve culpa criminal”, disse Sebastien Busy, advogado de uma das principais associações de parentes das vítimas.
As empresas negaram sistematicamente qualquer irregularidade criminal, mas os promotores acreditam que um novo julgamento ajudará a proporcionar um efeito catártico para as famílias. O desastre do AF447 foi um dos mais amplamente debatidos na aviação e levou a uma série de mudanças técnicas e de treinamento.
- A Airbus reagiu muito lentamente ao número crescente de incidentes de velocidade;
- A companhia aérea não fez o suficiente para garantir que os pilotos fossem treinados adequadamente;
- O julgamento anterior expôs as amargas divisões entre duas das principais empresas da França sobre os papéis relativos do piloto e do sensor no pior desastre aéreo do país.
O novo julgamento se estenderá por dois meses de audiências, durante as quais os advogados das famílias das vítimas tentarão persuadir os juízes de apelação de que houve uma ligação direta entre a negligência identificada anteriormente e o acidente. A multa máxima por homicídio culposo corporativo é de apenas 225.000 euros, mas os promotores acreditam que um novo julgamento ajudará a proporcionar um efeito catártico para as famílias.
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