Vivendo mais, mas com mais doenças?
A expectativa de vida no Brasil deve alcançar 77,8 anos até 2030, de acordo com o IBGE. No entanto, esse aumento não significa necessariamente mais tempo com qualidade de vida. A lacuna entre a expectativa de vida e o tempo vivido sem doenças que limitem as atividades, conhecida como lacuna healthspan-lifespan, está crescendo.
Um estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) alerta que essa disparidade coloca em risco a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro. O levantamento mostra que, no cenário global, essa lacuna já é de 9,6 anos e pode chegar a 16 anos até 2035.
Riscos e saídas
O estudo revela que a obesidade é um dos principais riscos para a saúde suplementar, responsável por quase 10% dos gastos da saúde suplementar. Além disso, a obesidade pode atingir 46% dos beneficiários em 2030, consumindo mais da metade das despesas assistenciais.
Para evitar essa situação, o estudo sugere que o setor de saúde suplementar precisa se transformar, investindo mais em prevenção e cuidados de longo prazo. Isso inclui a incorporação de telessaúde e inteligência artificial, reorganização dos ambientes urbanos e novas políticas regulatórias.
Além disso, o estudo destaca a importância de mudar a lógica do sistema de saúde, prevalecendo menos volume de procedimentos e mais resultados concretos para os pacientes.
Desigualdades
O estudo também chama atenção para as desigualdades em saúde, especialmente entre as mulheres, que concentram 60% dos custos com obesidade e vivem mais anos com morbidade. Além disso, mulheres negras estão entre as mais vulneráveis a doenças crônicas e mortalidade materna.
As diferenças regionais também são significativas, com uma diferença de 6 anos de expectativa de vida saudável nas regiões Sul/Sudeste em relação a Norte/Nordeste.
Para evitar que o sistema de saúde entre em colapso financeiro, é necessário fazer a transição para um modelo proativo e baseado em valor, prevenção e promoção de saúde.
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