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Fed deve manter juros, apesar de dados mistos e volatilidade do petróleo

Fed Deve Manter Juros, Apesar de Dados Mistos e Volatilidade do Petróleo

O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, define nesta quarta-feira (29) os rumos da taxa básica de juros, atualmente na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A maior parte do mercado projeta a manutenção das taxas, mas a discussão sobre a trajetória da política monetária mudou.

Os investidores estão atentos não apenas ao número a ser anunciado, mas também à conjuntura que o cerca, incluindo os choques no preço do petróleo motivados pelo conflito entre Estados Unidos e Irã e a mudança na comunicação da autoridade monetária, agora sob a presidência de Kevin Warsh.

Contexto de Sinais Mistos

O Fed delibera em um contexto de sinais mistos. Houve um alívio recente nos preços ao consumidor, mas pressões persistem em outras métricas. O índice de preços ao consumidor (CPI) recuou 0,4% em junho, reduzindo o acumulado de 4,2% para 3,5%. Em contrapartida, o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) saltou de 3,4% para 4,1% em maio.

No mercado de trabalho, o payroll registrou a criação de 57 mil vagas, frustrando a expectativa de 115 mil. Diante desses dados, o cenário mais provável para a reunião é de manutenção das taxas, com o Comitê aguardando novos dados antes de sinalizar movimentos para setembro.

Revisão de Métodos e Choque do Petróleo

Um vetor determinante da gestão Warsh é a criação de grupos de trabalho para revisar os métodos do Fed. Isso pode resultar em leituras inflacionárias mais baixas, o que fundamenta a projeção de juros inalterados até o fim do ano. No entanto, a instabilidade global ameaça essa inércia, especialmente com o conflito Irã-EUA e a volatilidade do petróleo.

Os especialistas alertam para o risco de alta caso o petróleo volte a subir, mas também estimam uma resolução favorável aos EUA nos próximos meses, derrubando o barril para US$ 65 a US$ 70.

  • A postura do Fed reverbera diretamente no Banco Central do Brasil, que define os rumos da Selic na semana seguinte.
  • Juros americanos elevados por mais tempo pressionam o câmbio e reduzem o espaço para cortes no Brasil.
  • O impacto não será determinante, visto que o BC brasileiro enfrenta impasses domésticos severos, como a pressão nos serviços e os efeitos iminentes do El Niño na inflação de alimentos.

Em resumo, o Fed deve manter as taxas de juros, apesar de dados mistos e volatilidade do petróleo, e a postura do banco central americano terá impacto no Brasil, mas não será determinante.

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