Inflação Baixa e Impacto nas NTN-Bs
De acordo com Bruno Serra, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e atual gestor do fundo multimercado Itaú Janeiro, as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B) podem não ser a melhor opção de investimento no médio prazo devido à inflação em baixa. Embora elas paguem mais de 8% ao ano, o retorno pode ser menor do que o obtido com aplicações prefixadas ou indexadas à Selic.
Serra acredita que a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve reduzir significativamente nos próximos meses, o que limitará o rendimento das NTN-Bs aos juros reais de 8% ao ano. Isso ocorre porque a inflação implícita nos juros do mercado está alta, em torno de 6% ao ano, o que não se justifica com a inflação atual.
Análise do Mercado
Algumas das principais considerações de Serra incluem:
- A inflação baixa deve reduzir o prêmio de inflação das LTNs (Letras do Tesouro Nacional), tornando-as menos atraentes.
- O juro nominal dos papéis prefixados do Tesouro está em torno de 14,5% ao ano, o que é alto em comparação com a inflação atual.
- A operação de aplicação em inflação implícita pode capturar a diferença entre o juro dos papéis privados e o juro real das NTN-Bs.
Diante desse cenário, Serra está vendido em NTN-Bs e utilizando a posição para financiar aplicações em juro prefixado, considerando que a Selic deve cair mais duas vezes, 0,25 ponto, após a eleição.
Perspectivas para o Futuro
Para o ano de 2027, Serra acredita que o juro pode cair mais do que o mercado espera, diante de uma desaceleração mais forte da economia. Ele estima que o PIB do próximo ano deve ficar abaixo de 1%, com chance de ficar negativo, e que a taxa de desemprego deve aumentar.
Além disso, Serra não vê um fator que favoreça o crescimento da economia no ano que vem, destacando a falta de vetores de crescimento e a alta carga tributária das empresas. Ele compara a situação atual com o fim do governo da presidente Dilma Rousseff, quando o juro bateu 13,75% e, depois, com a desaceleração da atividade, caiu dois anos depois para 6,5%.
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