Investir só no Brasil: Estratégia que Reduz Retorno e Eleva Risco
Investidores brasileiros ainda mantêm um elevado grau de concentração doméstica em suas carteiras, perdendo oportunidades globais de geração de riqueza. Especialistas de investimentos internacionais destacaram que o mercado de renda fixa americano é cerca de 20 vezes maior e 46 vezes mais líquido do que o brasileiro.
No universo das ações, a diferença é ainda maior: 130 vezes maior e 40 vezes mais líquido. A especialista Marina Valentini, do J.P. Morgan Asset Management, aponta que ao restringir investimentos ao mercado local, o investidor deixa de capturar movimentos importantes de criação de valor que acontecem em outras regiões do mundo.
Além disso, a composição do mercado global mudou profundamente nas últimas décadas, com empresas ligadas à tecnologia e inovação, como Apple, Nvidia e Amazon, assumindo o protagonismo. As empresas brasileiras representam apenas cerca de 0,4% da composição total do índice MSCI ACWI, que reúne ações globais.
Diversificação Internacional: Ampliando Oportunidades e Reduzindo Riscos
Artur Wichmann, CIO da XP Inc, reforçou o argumento de que a diversificação internacional não apenas amplia o universo de oportunidades como também melhora a relação entre risco e retorno das carteiras. A inclusão de ativos globais reduz correlações, diminui riscos específicos do Brasil e aumenta a eficiência dos portfólios.
Wichmann também destacou o conceito de “destruição criativa”, formulado pelo economista Joseph Schumpeter, que explica como o capital é constantemente realocado de empresas menos eficientes para companhias que lideram novas ondas de crescimento econômico. Isso ajuda a explicar por que o mercado americano consegue manter níveis elevados de retorno ao longo do tempo.
Em contraponto, no Brasil, o capital não é reciclado, o que pode limitar as oportunidades de crescimento. A inteligência artificial é um exemplo de uma área que está em constante evolução e oferece oportunidades de investimento em todo o mundo.
- A adoção da tecnologia ocorre em ritmo mais acelerado do que outras grandes revoluções tecnológicas do passado.
- A maior parte das oportunidades está localizada fora do Brasil, que está posicionado apenas em energia.
- Os mercados internacionais capturam valor em praticamente toda a cadeia da inteligência artificial.
Planejamento Financeiro e Internacionalização das Carteiras
Os debatedores defenderam que a internacionalização das carteiras deve fazer parte do planejamento financeiro dos investidores. Embora tenham ressaltado que a alocação ideal depende dos objetivos de cada cliente, os especialistas citaram o percentual de 15% em ativos internacionais como um ponto de partida razoável para boa parte dos investidores.
Além disso, a exposição cambial contribui para reduzir o risco agregado das carteiras, já que o real figura entre as moedas mais voláteis do mundo emergente. A estratégia mais disciplinada, baseada em aportes recorrentes, tende a produzir resultados melhores do que tentativas de acertar movimentos de curto prazo do câmbio.
Para investir globalmente, não é necessário ter um smartphone para monitorar constantemente os mercados, mas sim uma estratégia de longo prazo e disciplinada. Investir globalmente não é uma aposta tática, mas uma decisão estrutural para quem busca mais retorno, menos risco e acesso às principais tendências da economia mundial.
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