Enquanto o patriarca do Irã é velado, Teerã dá sinais de mudança
O falecimento do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, trouxe uma onda de luto e reflexão à capital, Teerã. A cidade, que foi moldada pela trajetória de Khamenei, agora se tornou o centro de sua jornada final, com cerimônias fúnebres que se estendem por vários dias e misturam despedida, espetáculo e ponto de inflexão.
Nos dias que antecederam o primeiro luto público, a cidade mudou. Famílias vindas de cidades do interior chegaram a Teerã e se juntaram às multidões que reverenciavam Khamenei como patriarca e guardião da República Islâmica. Autoridades estrangeiras, muitas delas de países autoritários, além de integrantes de milícias e líderes religiosos, vieram de várias partes do mundo, refletindo ao mesmo tempo o alcance global do Irã e seu distanciamento do Ocidente.
Os preparativos para o funeral se desenrolaram com a coreografia típica de um grande evento de Estado: postos de segurança, transporte organizado, anúncios públicos e espaços cerimoniais cuidadosamente montados. As ruas também eram administradas e organizadas como parte do espetáculo, com trabalhadores montando pontos para distribuir comida e água aos que chegavam para prestar homenagem.
Por trás das bandeiras e dos retratos, porém, havia outra Teerã: uma cidade desgastada por meses de pressão. A guerra regional com Israel no ano passado agravou um mal-estar financeiro já intensificado pelas sanções. Essa frustração econômica transbordou em protestos de massa no fim de dezembro, reprimidos pelas autoridades com milhares de mortos.
Os últimos meses pareceram condensar várias eras de tensão em uma única temporada. E, como é comum em regimes autocráticos, a resposta à incerteza foi a grandiosidade. A capital exausta se viu transformada em palco de um espetáculo funerário de proporções extraordinárias.
No Grande Mosalla, um amplo complexo de mesquitas em Teerã, dezenas de milhares de pessoas chegaram ao longo do fim de semana vestidas quase inteiramente de preto para rezar e prestar homenagens ao patriarca do islamismo xiita. Choravam e se lamentavam abertamente. Batiam no peito e na cabeça em rituais de luto.
O luto também deu lugar à raiva. Punhos se erguiam no ar. Gritos por vingança tomavam o espaço — dirigidos a Israel, aos Estados Unidos e, repetidamente, a um homem cujo nome era puxado pela multidão uma e outra vez: Donald Trump.
Em meio a essa mistura de emoções, a cidade de Teerã dá sinais de mudança. A perda de Khamenei pode ser um ponto de inflexão para o Irã, um momento em que a população e o governo podem refletir sobre o futuro do país e as relações com o mundo.
- A guerra regional com Israel agravou o mal-estar financeiro do Irã.
- A frustração econômica transbordou em protestos de massa no fim de dezembro.
- A capital exausta se viu transformada em palco de um espetáculo funerário de proporções extraordinárias.
Conclusão
O falecimento de Khamenei é um momento de reflexão para o Irã e para o mundo. A cidade de Teerã, que foi moldada pela trajetória do líder supremo, agora se tornou o centro de sua jornada final. A mistura de emoções e a grandiosidade do espetáculo funerário podem ser um ponto de inflexão para o país, um momento em que a população e o governo podem refletir sobre o futuro do Irã e as relações com o mundo.
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