Entendendo o “Momento Suez” dos EUA
O fundador da Bridgewater Associates, Ray Dalio, comparou recentemente a situação atual dos Estados Unidos com o “momento Suez” do Reino Unido em 1956. Essa comparação se refere à crise do Canal de Suez, que marcou o fim do Império Britânico. Dalio argumenta que os EUA estão passando por um processo semelhante de declínio, com a perda de confiança de aliados e credores, o enfraquecimento do status de moeda de reserva e a venda de títulos da dívida.
A crise do Canal de Suez ocorreu em 1956, quando o Reino Unido, a França e Israel invadiram o Egito após a nacionalização do canal. A operação militar foi bem-sucedida, mas a vitória durou pouco. Os EUA, alarmados com a ação unilateral, reagiram com força, ameaçando bloquear empréstimos emergenciais do FMI. O Reino Unido foi forçado a recuar e retirar as tropas do Egito, marcando o início do declínio do Império Britânico.
Dalio vê um paralelo entre a crise do Canal de Suez e a atual situação no Estreito de Ormuz. Ele argumenta que a guerra com o Irã expôs os limites estratégicos dos EUA e que o país está passando por um processo de reorganização do poder global. A combinação de fatores, incluindo a dívida de US$ 39 trilhões, a participação do dólar nas reservas globais no menor nível em três décadas e a ameaça física a um ponto central do petrodólar, torna a guerra com o Irã algo maior do que apenas mais uma crise no Oriente Médio.
O Sistema do Petrodólar e a Dívida Pública Americana
O sistema do petrodólar, estabelecido em 1974, é um fator importante na discussão sobre o declínio dos EUA. O acordo secreto entre os EUA e a Arábia Saudita, que estabeleceu que o petróleo seria vendido exclusivamente em dólares, consolidou o dólar como a principal moeda de reserva global. No entanto, a dívida pública americana, que ultrapassou US$ 39 trilhões, é um fator que pode afetar a credibilidade do poder americano e, consequentemente, a estabilidade do sistema financeiro global.
A participação do dólar nas reservas globais caiu para 56,9%, o menor nível desde 1995. Isso não significa que a dominância do dólar esteja desabando, mas sim que a moeda está perdendo espaço ao longo do tempo. A libra esterlina, que foi a principal moeda de reserva por mais de um século, também perdeu espaço após a crise do Canal de Suez, mas não colapsou de uma vez.
Conclusão
A comparação entre o “momento Suez” do Reino Unido e a atual situação dos EUA é complexa e tem limites. No entanto, é importante entender que o declínio de uma potência não é necessariamente um colapso. Os EUA continuam sendo a maior economia do mundo e têm influência cultural incomparável. A guerra com o Irã expôs os limites estratégicos dos EUA, mas o país ainda tem capacidade de suportar dor e infligir dor. A combinação de fatores, incluindo a dívida pública, a participação do dólar nas reservas globais e a ameaça física a um ponto central do petrodólar, torna a situação atual algo maior do que apenas mais uma crise no Oriente Médio.
- O “momento Suez” se refere à crise do Canal de Suez em 1956, que marcou o fim do Império Britânico.
- A situação atual dos EUA é comparada ao “momento Suez” devido à perda de confiança de aliados e credores, o enfraquecimento do status de moeda de reserva e a venda de títulos da dívida.
- O sistema do petrodólar e a dívida pública americana são fatores importantes na discussão sobre o declínio dos EUA.
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