Decisão do Banco Central: Cortes de Juros e Reputação
A decisão do Banco Central de cortar a Selic na semana passada não convenceu o mercado. Segundo Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA e ex-secretário-adjunto de Política Fiscal e Tributária do Ministério da Fazenda, a justificativa para o corte foi questionável. Ele afirma que o Banco Central usou a extensão do horizonte considerado na política monetária como uma “bengala para justificar cortes”, o que representa um “arranhão na reputação” da autoridade.
O argumento apresentado na ata da reunião do Copom foi que, sem o corte de juros, a inflação poderia cair abaixo da meta no primeiro período considerado. No entanto, Bittencourt questiona essa justificativa, destacando que a convergência da inflação não é um processo perfeito e monotônico. Ele também critica a justificativa de aproximar as projeções de juros às do Boletim Focus e do Questionário Pré-Copom (QPC), que refletem o que o mercado acredita que o Banco Central fará.
Cenário Base de Pausa
Segundo Bittencourt, o cenário base passou a ser de pausa no ciclo, já que o Banco Central retirou do texto os trechos que sinalizavam cortes ininterruptos. A consolidação dessa parada dependerá da estabilização do cenário externo e da ausência de novos choques na atividade vindos de programas governamentais.
Alguns pontos a serem considerados incluem:
- A necessidade de rever parâmetros estruturais do arcabouço fiscal, especialmente o limite que permite à despesa total crescer até 2,5% acima da inflação ao ano.
- A importância de controlar a despesa discricionária, que pode ser ocupada pelo governo ou pelo Congresso com emendas.
- A necessidade de uma abordagem mais equilibrada para a política monetária, que considere a inflação e o crescimento econômico.
Em resumo, a decisão do Banco Central de cortar a Selic foi questionada pelo mercado, e a justificativa apresentada foi considerada insuficiente. O cenário base de pausa no ciclo depende da estabilização do cenário externo e da ausência de novos choques na atividade.
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