Crédito Privado e a Preocupação com a Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central está prestes a tomar uma decisão importante sobre a taxa de juros, mas para os investidores em crédito privado, a preocupação não é apenas o tamanho do próximo passo, mas sim a perspectiva de juros altos por um longo período. Com a taxa de juros já acima de 14% ao ano por 15 meses, as empresas menores estão sentindo o peso dos juros altos, o que pode levar a renegociações de dívidas e até mesmo à recuperação judicial.
Os gestores de crédito privado estão preocupados com a gordura construída nos últimos anos, especialmente entre os grandes emissores de crédito de alta qualidade. No entanto, as empresas que já vinham com balanços frágeis estão agora em uma situação mais difícil, com custos nominais entre 17% e 18% ao ano. Isso significa que é preciso ter uma margem muito boa para ganhar dinheiro pagando uma dívida que chega a quase 20% ao ano.
O Impacto nos Investidores
Os investidores em crédito privado estão enfrentando um desafio complexo, pois suportar o nível de taxa de juros atual por muitos meses é um desafio para a maioria das empresas. Além disso, os prêmios dos papéis de crédito estão em níveis mínimos históricos, o que significa que há pouco espaço para alta de spreads. Os gestores de crédito privado estão optando por encurtar a duração das carteiras e sair de papéis longos mal remunerados.
A postura de caixa das gestoras reflete a cautela do mercado, com a Tivio operando com 25% a 30% das carteiras em liquidez, acima da média histórica. A Paramis também está reduzindo a liquidez, de cerca de 40% para perto de 20% nos fundos menos líquidos. Isso reflete a decisão mais difícil de um mandato de crédito, que é não comprar crédito.
Onde Estão as Oportunidades?
O mercado primário está travado, com o ritmo de emissões caindo significativamente. No entanto, o foco está migrando para o secundário, com a Tivio privilegiando crédito bancário de instituições sólidas e papéis high grade mais defensivos. A Paramis está enxergando mais oportunidade no mundo dos estruturados, com operações de CRI que pagam CDI+4% com garantias sólidas.
Em resumo, o crédito privado está enfrentando um desafio complexo com a taxa de juros alta e a perspectiva de juros altos por um longo período. Os investidores devem ser cautelosos e disciplinados, comprando teses de longo prazo sem se prender à oscilação diária. Além disso, é importante considerar a qualidade da carteira e a gestão do banco central para tomar decisões informadas.
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