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Macacos da Amazônia contraem hepatite B humana em áreas degradadas, diz estudo

Macacos da Amazônia Contraem Hepatite B Humana em Áreas Degradadas

O avanço do desmatamento na Amazônia pode estar criando uma nova ameaça para os primatas da região: doenças transmitidas por humanos. Uma nova pesquisa identificou, pela primeira vez, a presença do vírus da hepatite B humana (HBV) em primatas neotropicais selvagens, sugerindo que a destruição ambiental e a invasão humana nos habitats desses animais estão favorecendo a transmissão da doença entre espécies.

Os resultados do estudo, publicado em 3 de abril na revista EcoHealth, mostraram uma diferença marcante entre dois cenários. Em áreas impactadas pela presença humana, 17 dos 49 animais coletados apresentaram infecção pelo HBV, enquanto em uma região remota e pouco afetada por atividades humanas, nenhum caso da doença foi comprovado.

Relação entre Densidade Populacional Humana e Infecção

Os pesquisadores identificaram uma relação entre a densidade populacional humana e a probabilidade de infecção nos primatas. Quanto maior a presença de pessoas na região, maior era a chance de os animais estarem infectados. Além disso, os vírus encontrados nos macacos pertenciam aos genótipos A e D do HBV, os mesmos que circulam entre populações humanas da região estudada.

Essa transmissão de doenças de humanos para animais é conhecida como transmissão antroponótica, ou zooantroponose. Embora a ciência geralmente se concentre em doenças que passam de animais para pessoas, pesquisadores alertam que o caminho inverso também representa riscos importantes para a conservação da biodiversidade.

Impacto da Infecção sobre a Saúde dos Primatas

Ainda não se sabe o impacto da infecção sobre a saúde dos primatas. Em estudos experimentais realizados com chimpanzés, a hepatite B já foi associada a sintomas como letargia, icterícia e perda de apetite. No entanto, não existem estudos clínicos semelhantes envolvendo primatas neotropicais.

  • A caça de subsistência e o comércio de animais silvestres também podem estar relacionados à transmissão da doença.
  • A falta de vigilância e medidas preventivas em áreas de contato entre humanos e a vida silvestre pode aumentar o risco de transmissão de doenças.
  • É provável que os macacos infectados sejam afetados pela doença, pois é uma doença muito grave tanto para humanos quanto para grandes símios.

Para os autores, o fato de nenhum animal da região mais preservada ter apresentado o vírus fortalece a hipótese de que a presença humana seja o principal fator por trás das infecções observadas. Eles defendem uma maior vigilância e medidas preventivas em áreas de contato entre humanos e a vida silvestre para reduzir o risco de transmissão de doenças.

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