Síndromes Insulares: Um Mistério Evolutivo
Um estudo recente publicado no Evolutionary Journal of the Linnean Society revelou como diferentes subespécies de carriças insulares têm evoluído de forma independente. A descoberta parte de uma exploração sobre os processos que originam as “síndromes insulares”, ou seja, o conjunto de características evolutivas que as espécies desenvolvem devido às pressões ecológicas específicas das ilhas em que passam a viver.
Os pesquisadores examinaram quatro subespécies da ave e encontraram evidências de que o chamado “gigantismo insular” ocorre em duas populações. Trata-se de um fenômeno biológico no qual o tamanho de uma espécie animal insular aumenta em comparação com a de seus parentes continentais. Além do gigantismo, outros fenômenos evolutivos identificáveis são: maior longevidade, menor taxa de reprodução e, especificamente em aves, uma tendência à menor capacidade de voo.
Características das Síndromes Insulares
- Maior tamanho corporal em comparação com parentes continentais
- Maior longevidade
- Menor taxa de reprodução
- Menor capacidade de voo em aves
As quatro subespécies de carriças-das-ilhas estudadas são de um arquipélago da Escócia formado pelas ilhas de Shetland, Fair Isle, Outer Hebrides e St Kilda. Cada uma dessas subespécies se encontra geograficamente isolada, mas ainda assim expostas a ambientes semelhantes. Elas também diferem geneticamente das carriças da Grã-Bretanha continental.
As subespécies de carriças das ilhas de Shetland e de St Kilda foram as que desenvolveram um gigantismo insular. O impressionante é que não foi um crescimento considerado “leve”, a nível de comparação: uma carriça inglesa tem uma massa média de 7 a 10 gramas, já as carriças de St Kilda chegam à marca de 13 a 16 gramas.
Embora a subespécie encontrada em Shetland também tenha passado pelo fenômeno de gigantismo insular, os cientistas descobriram que ela apresenta grande independência genética das carriças de St Kilda. Isso torna a síndrome ainda mais complexa de ser compreendida.
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