O Mercado Brasileiro de Crédito Privado Atrai Investidores Estrangeiros
O mercado brasileiro de crédito privado está começando a ganhar atenção de investidores estrangeiros, de acordo com Eduardo Alhadeff, sócio e gestor da estratégia de crédito da Ibiuna Investimentos. Isso ocorre em um momento em que as bolsas americanas oferecem retornos cada vez mais baixos e o crédito privado nos Estados Unidos sofre com a falta de liquidez.
Alhadeff mencionou dois episódios recentes que ilustram o interesse crescente dos investidores internacionais no mercado brasileiro de crédito. No primeiro caso, um investidor americano especializado em crédito imobiliário estruturado procurou entrar no Brasil após percorrer os Estados Unidos e o México. No segundo caso, um grande fundo internacional encontrou um impasse devido à falta de liquidez no crédito privado nos Estados Unidos e está considerando montar seguradoras em paraísos fiscais para assumir riscos de crédito de longo prazo.
Estratégia de Investimento da Ibiuna Investimentos
A Ibiuna Investimentos adotou uma estratégia de investimento baseada na paciência deliberada na alocação de recursos, seguida de compras oportunistas quando o mercado apresenta brechas. Desde meados de 2024, a empresa vinha encurtando os prazos e elevando a qualidade dos papéis em sua carteira. O resultado imediato foi um aumento do caixa, mas com um retorno menor no curto prazo.
No começo de março deste ano, mais de 33% dos ativos do fundo estavam parados. Com a correção ao longo do primeiro trimestre, a equipe montou uma lista de compras e passou a realocar gradualmente. Hoje, o caixa está em torno de 20%.
Oportunidades no Mercado Latino-Americano
A Ibiuna Investimentos também encontrou oportunidades no mercado latino-americano, especialmente em títulos corporativos de empresas emitidos no exterior, conhecidos como bonds. Esses investimentos são feitos com proteção cambial, o que significa que o risco da variação do dólar é travado por meio de derivativos.
Essa estratégia se mostrou eficiente ao longo de quase seis anos, com uma exposição média de apenas 12% a 13% do patrimônio, respondendo por 25% de todo o excesso de retorno gerado pelo fundo no período.
Se o capital estrangeiro chegar ao Brasil em volume, a competição no mercado de crédito local ficará mais acirrada. No entanto, por ora, o espaço ainda é quase exclusivo dos gestores domésticos, e quem conhece as regras não escritas desse mercado ainda leva vantagem considerável.
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