Tesouro não paga tanto desde Dilma: IPCA+8% é mesmo imperdível?
A disparada dos juros longos nas últimas semanas colocou os títulos atrelados à inflação no centro das atenções dos investidores. Papéis do Tesouro Nacional já pagam taxas reais acima de 8% ao ano em prazos mais curtos, níveis não vistos desde o governo Dilma Rousseff.
Para gestores e estrategistas, esse cenário abre uma janela rara, mas exige posicionamento cuidadoso. André Leite, diretor de investimentos da TAG Investimentos, destaca que países como o Brasil não dão default na dívida interna, apenas a inflacionam. Por isso, a TAG prefere os títulos de inflação (Tesouro IPCA+, ou NTN-Bs) mais curtos desde o início do ano.
Marco Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos, também enxerga nas NTN-Bs a melhor relação risco-retorno do momento. Sua preferência são os vencimentos entre 2030 e 2035, o “miolo da curva”, que capturam as taxas elevadas sem sofrer tanto com a atualização de preços em caso de novas altas.
Montando a carteira
Para perfis conservadores, Noernberg sugere até 80% em ativos atrelados ao CDI, com algum crédito privado de qualidade. Os moderados podem elevar a parcela em papéis de inflação para 20% a 25% e ter entre 5% e 10% em bolsa.
- Ativos atrelados ao CDI: 80% para perfis conservadores
- Papéis de inflação: 20% a 25% para perfis moderados
- Bolsa: 5% a 10% para perfis moderados
Já os mais sofisticados podem ter de 25% a 30% em NTN-Bs e até 20% em ações. É importante ter uma carteira diversificada e não ficar em uma direção só, pois o mercado pode mudar de uma hora para outra.
Além disso, os especialistas também indicam reservar um espaço para investimentos no exterior. Na TAG, a recomendação é ter pelo menos 30% do patrimônio lá fora, considerando o câmbio ao redor de R$ 5 como boa oportunidade para quem ainda não tem essa exposição.
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link