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Selic em até 14,25%? O que mudou no cenário de juros, inflação e orçamento para 2026

Selic em até 14,25%: O que mudou no cenário de juros, inflação e orçamento para 2026

O cenário econômico global e doméstico mudou significativamente, afetando as expectativas de inflação e juros para o ano. Além da guerra, fatores como o desempenho da economia no primeiro trimestre, as medidas de estímulo do governo, o El Niño e investimentos em Inteligência Artificial estão influenciando as decisões dos bancos centrais.

Diante desse cenário, bancos e gestoras de investimento estão revisando suas estimativas e projetam que a taxa básica de juros, a Selic, deve terminar o ano em até 14,25%, com espaço para apenas mais um corte. Isso representa uma mudança significativa em relação às expectativas iniciais, que previam uma Selic de 12,25% ao fim de 2026.

Cenário externo: choque de oferta e reprecificação de juros

O conflito no Oriente Médio e as restrições no Estreito de Ormuz estão limitando a oferta de petróleo e aumentando os riscos para as cadeias produtivas. Além disso, os investimentos globais em Inteligência Artificial estão gerando gargalos e pressionando os custos de componentes tecnológicos. A retomada da agenda protecionista nos Estados Unidos também está ampliando os custos globais.

Esses fatores estão afetando as decisões dos bancos centrais, que precisam equilibrar a necessidade de controlar a inflação com a necessidade de estimular a economia. Nos Estados Unidos, o payroll mostrou a criação de 172 mil postos de trabalho em maio, número acima das expectativas, o que pode levar a um aumento de juros.

Resiliência doméstica: orçamento, mercado de trabalho e El Niño

No Brasil, a inflação de serviços está resistente, impulsionada por um mercado de trabalho apertado, com o desemprego recuando para a faixa de 5,5% a 5,8%. O PIB do primeiro trimestre confirmou o aquecimento da atividade, avançando 1,1% na margem. No entanto, o dinamismo da economia é impulsionado por estímulos do governo, que mantêm o impulso fiscal elevado e evitam melhoras nas contas públicas.

O El Niño também está impõe riscos severos para a oferta doméstica, com a maior probabilidade de um El Niño severo em 2026 levando as instituições a revisarem a inflação de alimentos. O BNP Paribas, por exemplo, elevou sua projeção de alimentação no domicílio para 8,5% em 2026 e 7,0% em 2027.

  • A Selic deve terminar o ano em até 14,25%, com espaço para apenas mais um corte.
  • O cenário externo está afetando as decisões dos bancos centrais, com o conflito no Oriente Médio e as restrições no Estreito de Ormuz limitando a oferta de petróleo e aumentando os riscos para as cadeias produtivas.
  • No Brasil, a inflação de serviços está resistente, impulsionada por um mercado de trabalho apertado, e o El Niño está impõe riscos severos para a oferta doméstica.

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