Eneva (ENEV3): Leilão de Capacidade em Questão
As ações da Eneva (ENEV3) sofreram uma queda de cerca de 3% na terça-feira (19) após notícias de que a área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou possíveis distorções no leilão de capacidade (LRCAP) realizado em março. O leilão contratou 19GW no total, com a Eneva sendo uma das principais vencedoras, contratando 5,3GW.
O relatório do TCU aponta que o resultado do leilão teria sido desequilibrado, favorecendo os vencedores e prejudicando os consumidores. A principal preocupação do mercado é que a análise do TCU possa levar à eventual revisão ou cancelamento de cerca de 16,5 GW contratados por usinas térmicas no leilão.
Análise do Bradesco BBI
O Bradesco BBI considera que o ruído gerado pelo relatório do TCU tende a ser temporário e vê baixa probabilidade de cancelamento do leilão. Isso ocorre porque um eventual cancelamento teria um impacto negativo sobre a previsibilidade regulatória e o custo de capital no país, especialmente considerando os investimentos já realizados pelos agentes e o engajamento da cadeia global de fornecedores para viabilizar os projetos.
Além disso, o BBI destaca que a Eneva negocia a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 12,5%, uma das mais elevadas da sua cobertura, implicando potencial de valorização de cerca de 32% frente ao seu preço justo de R$ 32 por ação.
Pontos Levantados pelo TCU
O BBI também analisa os pontos levantados pelo TCU, incluindo:
- A falta de transparência na definição do preço-teto, que já havia sido revisada pelo governo;
- A crítica sobre menor competição e priorização de térmicas, que é discutível devido ao estágio regulatório e à ausência de histórico do Brasil com baterias como solução principal para capacidade de ponta;
- O volume contratado, que está dentro do intervalo de estimativas de mercado entre 17GW e 20GW.
Diante desses pontos, o BBI entende que eventuais quedas no papel podem abrir uma oportunidade tática de entrada.
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