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Real ganha fôlego com cenário global, mas fiscal e eleições limitam rali

Real ganha fôlego com cenário global, mas fiscal e eleições limitam rali

O real entra no segundo semestre de 2026 em uma posição relativamente confortável no universo emergente, apoiado por fundamentos sólidos e por um ambiente global que tende a favorecer moedas de países em desenvolvimento. No entanto, a moeda brasileira ainda enfrenta um teto importante: o risco fiscal e a incerteza em torno das eleições, que podem frear um rali mais consistente.

A equipe de estratégia do Morgan Stanley lembra que 2026 começou com uma visão construtiva para mercados locais de emergentes. A recente “montanha-russa” no preço do petróleo e a perspectiva de novas altas de juros por bancos centrais emergentes atrapalharam o ganho com queda de juros, mas o quadro central segue o mesmo, vendo espaço para valorização das moedas emergentes nos próximos 3 a 6 meses.

A força da moeda deve vir do carry trade – o ganho de juros por carregar posições em moedas e títulos locais. Segundo o relatório, os mercados locais de emergentes entregaram apenas cerca de 1% de retorno total (TR) no acumulado do ano até agora, mas o banco projeta algo próximo a 7% de retorno para os próximos sete meses e meio.

Principais fatores que influenciam o real

  • Risco fiscal: o prêmio de risco fiscal excedente – a “gordura” adicional que o mercado cobra por temer deterioração das contas públicas – está próximo de zero.
  • Eleições: as próximas eleições podem representar “uma mudança maior” na forma como o mercado precifica o risco fiscal do país.
  • Cenário global: o ambiente global tende a favorecer moedas de países em desenvolvimento.

O banco trabalha com dois cenários. O primeiro é o construtivo, caso um novo governo priorize efetivamente a consolidação fiscal. O mercado poderia precificar pelo menos um upgrade de rating ao longo dos próximos anos. Em termos de preço, isso significaria um ganho adicional de cerca de 30 pontos-base (bp) em relação a pares, ao longo do tempo. Já o segundo é o de frustração, caso faltar compromisso crível com ajuste das contas públicas.

Assim, as projeções incorporam um prêmio de risco pré-eleitoral no 3º trimestre de 2026, seguido por uma leve alta no 4º trimestre de 2026. Caso os dois principais candidatos à presidência nas próximas eleições permanecerem empatados nas pesquisas, a projeção representa dois cenários eleitorais com pesos iguais.

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