PM expulsa estudantes com bombas de efeito moral e retoma reitoria da USP
No domingo, 10, a Polícia Militar retirou os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) que ocupavam o prédio da reitoria desde o dia 7. A ação policial resultou na detenção de quatro universitários e deixou várias pessoas feridas devido ao uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.
De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a atuação policial ocorreu por volta das 4h15 e envolveu mais de 30 policiais com escudos e cassetetes. Além disso, os detidos foram submetidos a um “corredor polonês”, uma prática em que os detidos precisam passar entre duas fileiras de policiais que os atingem com cassetetes.
A greve dos estudantes da USP começou em abril e teve como principal demanda o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). Os estudantes defendem um reajuste para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista. No entanto, a USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE, o que foi considerado insuficiente pelos estudantes.
Reivindicações dos estudantes
- Reajuste do PAPFE para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista
- Melhores condições de moradia estudantil
- Reestruturação do restaurante universitário, conhecido como “bandejão”
- Melhoria da situação do Hospital Universitário (HU), que perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década
A reitoria da USP abriu três rodadas de negociação com os estudantes, mas decidiu encerrar unilateralmente as conversas após a rejeição da proposta apresentada. Isso gerou insatisfação entre os grevistas, que decidiram manter a greve.
A ação da Polícia Militar foi criticada pelo DCE, que afirmou que a reitoria da USP escolheu ignorar as reivindicações dos estudantes e reprimir os alunos e alunas que sustentam cotidianamente o ensino, a pesquisa e a extensão dentro da universidade.
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