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Inadimplência nos Bancos: Preocupação, mas sem Deterioração Sistêmica

A inadimplência nos bancos tem sido um tema de preocupação para investidores e governo, especialmente com a alta recente nos índices de inadimplência. No entanto, os dados divulgados pelo Banco Central em março de 2026 mostram um crescimento resiliente do crédito, apesar da piora na inadimplência de curto prazo.

De acordo com a XP Investimentos, houve uma leve aceleração no mercado de crédito em relação ao mês anterior, o que é visto como resiliente diante de um cenário macroeconômico desafiador. A inadimplência maior que 90 dias recuou levemente no mês, atingindo 4,3%, enquanto a inadimplência de 15 a 90 dias aumentou levemente em 10 pontos-base, chegando a 4,3%.

No segmento de Agro, foi um mês mais benigno, embora ainda pressionado, para a inadimplência acima de 90 dias, que atingiu 7,1% em pessoas físicas. A XP Investimentos destaca que a inadimplência de 15 a 90 dias nas linhas a taxas de mercado para pessoas físicas ficou estável ante fevereiro, em 3,0%, após quatro meses consecutivos de queda.

O Bradesco BBI não vê níveis alarmantes na qualidade dos ativos dos bancos, apesar da piora na inadimplência. A equipe de análise do BBI destaca que, desde a implementação da Resolução nº 4.966, em janeiro de 2025, os indicadores de crédito vencido acima de 90 dias deixaram de ser plenamente comparáveis ao histórico.

Os analistas do BBI veem desempenho relativamente melhor em cartões de crédito, financiamento de veículos, crédito pessoal, consignado e capital de giro de curto prazo, ainda que com leve piora. Em contrapartida, observam deterioração mais relevante em consignado do INSS, consignado privado, crédito rural, financiamento imobiliário e capital de giro de longo prazo.

Para o BBI, a leitura dos dados sugere que a qualidade de ativos ainda não atingiu níveis alarmantes que justifiquem uma reação defensiva imediata em termos de concessão de crédito. No entanto, os sinais de deterioração em alguns produtos exigem acompanhamento próximo nos próximos trimestres.

Alguns pontos importantes a serem considerados incluem:

  • A inadimplência em estágio inicial (15 a 90 dias) permanece comparável e funciona como indicador antecedente de deterioração.
  • O potencial programa de renegociação para dívidas de pessoas físicas pode ser positivo para a liquidez do sistema, ao reduzir o estoque de créditos problemáticos e aliviar a restrição financeira das famílias de menor renda.
  • A carteira de empréstimos em atrasos para pessoas físicas é significativa, com cerca de R$ 113 bilhões, e quase 70% estão concentrados no público elegível para o programa de renegociação.

Em resumo, apesar da preocupação com a inadimplência nos bancos, os dados não apontam para uma deterioração sistêmica iminente da qualidade de crédito. No entanto, é importante manter vigilância reforçada e acompanhar de perto os desenvolvimentos nos próximos trimestres.

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