Malária pode afetar a cognição de crianças até uma década após a infecção
Um estudo de longo prazo realizado na Uganda revelou que crianças que sobreviveram à malária cerebral ou à anemia severa causada pela doença apresentaram desempenho significativamente inferior em testes de cognição geral e matemática, mesmo muitos anos depois da infecção.
De acordo com os pesquisadores, os déficits equivalem a uma perda de quatro a sete pontos de QI, o que pode não parecer muito, mas há pelo menos um milhão de crianças que são afetadas a cada ano, resultando em um grande impacto populacional.
Os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que a malária infectou mais de 282 milhões de pessoas em 2024 e causou 610 mil mortes. O novo estudo sugere que, mesmo os sobreviventes, podem enfrentar complicações severas e silenciosas que comprometem o seu futuro acadêmico e social.
Desafio de compreender os mecanismos
Os pesquisadores liderados por Paul Bangirana e Chandy John conduziram o estudo e descobriram que crianças com malária cerebral e anemia grave apresentaram prejuízos semelhantes, mesmo sem sintomas neurológicos aparentes.
Um segundo projeto confirmou os achados, mas indicou que outras formas de malária grave não estavam associadas a déficits duradouros. Em 2020, a equipe reavaliou os participantes e descobriu que muitas crianças nunca recuperaram totalmente o atraso.
Ainda é um mistério o que causa os danos duradouros, especialmente em casos de anemia, e a importância de reavaliar os níveis de hemoglobina dos participantes para verificar se a anemia persistia.
Prevenção além da sobrevivência
As descobertas reforçam a necessidade de ampliar estratégias de prevenção, como o uso de redes mosquiteiras e vacinas recentemente introduzidas contra a malária.
- Redes mosquiteiras são uma forma eficaz de prevenir a malária.
- Vacinas recentemente introduzidas contra a malária são uma esperança para a prevenção.
- A prevenção é chave para o desenvolvimento humano e social em escala global.
Estamos salvando vidas de crianças com antimaláricos, mas isso não é suficiente. Precisamos fazer mais para proteger o potencial intelectual de milhões de crianças.
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