Mapa de Risco: Quem são os eleitores de Flávio Bolsonaro na disputa de 2026
O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas não tem sido aleatório nem homogêneo. Os dados da pesquisa Genial/Quaest mostram que a base de apoio do senador começa a ganhar forma mais definida, com um perfil que combina insatisfação econômica, recorte de renda e uma busca por alternativa ao atual governo.
O crescimento da candidatura do senador está diretamente ligado à migração de um eleitor considerado decisivo em disputas polarizadas, a classe média urbana. Segundo a análise do cientista político e diretor de inteligência do instituto Quaest, Guilherme Russo, “existe um eleitorado da classe média, classe média urbana, muito ligado na classe C2, que está cada vez mais frustrado com o governo Lula, por conta do poder de compra, o baixo poder de compra e a inflação”.
Percepção econômica e recorte por renda
O recorte por renda mostra um dos pontos mais relevantes da análise. Enquanto Lula tem um desempenho muito favorável na população com até dois salários mínimos, a situação se inverte nas demais faixas. No público de 2 a 5 salários mínimos, Flávio tem 47% de intenções de voto, contra 36% de Lula.
Segundo a análise apresentada no programa, o comportamento desse eleitor está menos ligado a indicadores macroeconômicos e mais à percepção cotidiana. O impacto da inflação, especialmente em serviços e alimentos, tem pesado mais do que dados agregados.
Puxadores de crescimento
Além do recorte de renda, a pesquisa também indica diferenças relevantes por perfil demográfico. O apoio ao senador cresce com mais intensidade entre homens e entre eleitores de faixa etária intermediária.
- Entre os eleitores com mais de 60 anos, Lula lidera com 45%, enquanto Flávio tem 28%.
- Entre os mais jovens, a diferença é mínima: 34% a 33% para Lula.
- Na faixa intermediária, de 35 a 59 anos, o petista aparece com 36% e Flávio com 32%.
O senador apresenta o melhor desempenho em um grupo que concentra renda ativa e maior exposição às oscilações econômicas. Para o analista político da XP, João Paulo Machado, há também um componente de frustração acumulada ao longo do atual mandato.
O eleitor que tem migrado para Flávio Bolsonaro é descrito pelos analistas como mais pragmático do que ideológico. “O eleitor comum não tem grandes articulações, ele pensa de forma muito simples: o que vai ser melhor para o país? Quem vai melhorar a qualidade de vida?”, explicou Russo.
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