Ozempic: O que falta para o medicamento ficar mais barato no Brasil?
A queda da patente do Ozempic, que ocorreu recentemente, foi vista como um possível ponto de virada para o acesso ao medicamento. No entanto, a expectativa de mais oferta e preços menores ainda não se concretizou.
Atualmente, ao menos 15 pedidos relacionados à semaglutida, o princípio ativo do Ozempic, estão em análise na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em diferentes estágios. Parte desses processos está na fase de exigências técnicas, que é quando a Anvisa solicita informações adicionais às empresas.
Para que essas versões cheguem às farmácias, é necessário que as empresas comprovem a qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos, o que envolve uma série de etapas regulatórias e técnicas.
O que é a semaglutida?
A semaglutida é um medicamento usado no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Ela atua no controle da glicose no sangue e na regulação do apetite, o que ajuda tanto no manejo da doença quanto na perda de peso.
A semaglutida é um peptídeo, uma molécula mais complexa do que os compostos químicos tradicionais. Sua produção envolve processos mais sofisticados e pode seguir diferentes métodos.
O que falta para essas versões chegarem às farmácias?
Entre os pontos que a Anvisa avalia, estão a resposta imunológica ao medicamento, o controle de impurezas e a capacidade de identificar pequenas variações na estrutura da molécula.
Além disso, as empresas precisam comprovar que conseguem identificar essas variações e manter consistência nos lotes.
Outros pedidos ainda aguardam análise inicial, o que indica que a entrada de novas versões deve ocorrer de forma escalonada, conforme cada processo avança dentro da agência.
Por que o preço não deve cair como em genéricos
Embora se espere que o preço caia, o movimento não deve ser como no caso de medicamentos comuns.
A semaglutida não deve ter versões genéricas idênticas. Em vez disso, surgem biossimilares e novos medicamentos, que precisam comprovar, por meio de estudos próprios, qualidade, segurança e eficácia comparáveis às do produto original.
Além disso, entre os pedidos em análise no Brasil, apenas uma parte segue o caminho de biossimilar. Outros foram apresentados como medicamentos novos, o que significa que não há, necessariamente, um compromisso com redução de preço em relação ao produto original.
Com as versões ainda em análise na Anvisa, o impacto no bolso do consumidor segue condicionado ao avanço desses processos, e ao tipo de produto que efetivamente chegará às farmácias.
- A Anvisa está analisando 15 pedidos relacionados à semaglutida.
- As empresas precisam comprovar a qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos.
- A semaglutida é um peptídeo, uma molécula mais complexa do que os compostos químicos tradicionais.
- O preço não deve cair como em genéricos, pois a semaglutida não deve ter versões genéricas idênticas.
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