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Mercado vê Risco no Abastecimento de Diesel com Leilões da Petrobras Suspensos

O cancelamento de leilões de gasolina e diesel da Petrobras acendeu um alerta vermelho no mercado, que vê riscos ao abastecimento nacional de combustíveis em meio a um cenário indefinido de estoques e prazo curto para importações. O sindicato que representa distribuidoras como Vibra, Raízen e Ipiranga (Sindicom) pediu que sejam tomadas providências para que a Petrobras retome os leilões de combustíveis.

As distribuidoras têm observado um aumento relevante da demanda por produtos, mas relatam cortes nas cotas de fornecimento e negativa de pedidos adicionais para março e abril por parte da Petrobras. O cenário global, afetado pela guerra no Golfo Pérsico, elevou preços e intensificou a disputa internacional por suprimentos.

Preocupações com o Abastecimento de Diesel

Cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado. A defasagem dos preços da Petrobras desincentivou importações, e a suspensão de leilões da Petrobras indica tensão no abastecimento. O preço médio do diesel da Petrobras está cerca de 70% abaixo da paridade de importação, segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

O presidente-executivo da Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis (Brasilcom), Abel Leitão, manifestou preocupação com o abastecimento de diesel, indicando que a defasagem dos preços da Petrobras desincentivou importações. Sérgio Araujo, presidente da Abicom, afirmou que o cenário de abastecimento para março ainda não causa tanta preocupação, mas que o “line up” de navios de diesel importado para abril está muito “magro”.

Medidas do Governo Sob Crítica

Especialistas e fontes do setor avaliam que as medidas tomadas até agora pelo governo para garantir o abastecimento são ineficazes, por estarem focadas sobretudo no controle de preços. O governo cortou impostos federais sobre combustíveis e lançou um programa de subsídio ao diesel, que ainda precisa ser regulamentado.

Uma fonte de uma distribuidora disse que o governo parece mais empenhado em criar espaço para a Petrobras reajustar preços sem impactar diretamente o consumidor do que em atacar a raiz do problema. Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, afirmou que a principal preocupação hoje está concentrada em abril, principalmente por causa da mudança de rota de navios que estavam vindo ao Brasil, mas passaram a priorizar mercados que pagam mais.

  • O mercado vê riscos ao abastecimento nacional de combustíveis.
  • A defasagem dos preços da Petrobras desincentivou importações.
  • As medidas do governo para garantir o abastecimento são consideradas ineficazes.

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