A Crise na Assembleia Legislativa de São Paulo
A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foi palco de um protesto controverso realizado pela deputada estadual Fabiana Bolsonaro, que utilizou maquiagem escura para criticar a nomeação da deputada federal Erika Hilton à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara.
Durante sua fala, Fabiana comparou identidade racial e identidade de gênero, gerando contestação imediata no plenário. A deputada afirmou que, após se maquiar, não se tornou negra, destacando a diferença entre identidade racial e de gênero.
O protesto foi direcionado à escolha de Erika Hilton para comandar a comissão na Câmara, tema que tem mobilizado setores políticos e ampliado o debate sobre representatividade e critérios para ocupação de cargos institucionais.
Reações e Críticas
A comparação feita por Fabiana Bolsonaro entre identidade racial e de gênero foi o ponto central das críticas, com parlamentares apontando distorções conceituais e potencial ofensivo no discurso.
- A deputada Monica Seixas (PSOL) levantou questão de ordem e classificou o episódio como prática de racismo, transfobia e blackface.
- Seixas solicitou a interrupção da sessão e da transmissão, além de medidas contra o discurso.
- Após o episódio, Seixas afirmou que acionou o Comitê de Ética da Casa e registrou ocorrência em delegacia, pedindo “responsabilização imediata” da parlamentar.
Prática de Blackface
O uso de blackface é amplamente criticado por movimentos sociais e acadêmicos por sua associação histórica à reprodução de estereótipos racistas.
A prática ganhou notoriedade nos Estados Unidos no século 19, em espetáculos que caricaturavam a população negra, e desde então passou a ser considerada uma forma de discriminação.
Essa crise na Alesp destaca a importância do respeito à diversidade e à inclusão, e a necessidade de uma maior conscientização sobre as questões raciais e de gênero.
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