Guerra do Irã: Ataque a ilha Kharg amplia risco para oferta global de petróleo
O recente ataque dos Estados Unidos à ilha Kharg, localizada no Golfo Pérsico, está aumentando o temor de novas interrupções na oferta de petróleo na região. A ilha é responsável por escoar a maior parte do petróleo bruto do Irã, e o ataque pode pressionar ainda mais os mercados de petróleo e gás, que já estão abalados após duas semanas de guerra no Oriente Médio.
O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos bombardearam alvos militares na ilha Kharg, mas preservaram a infraestrutura petrolífera. No entanto, ele alertou os líderes iranianos de que pode rever imediatamente essa decisão caso o país interfira na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.
Em resposta, o Irã afirmou que qualquer ataque à infraestrutura de petróleo e energia levaria a retaliações contra instalações energéticas ligadas aos Estados Unidos na região. Um ataque com drone interceptado provocou um incêndio no terminal de exportação de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, forçando a suspensão de todo o carregamento de petróleo bruto e derivados.
A guerra já matou mais de 2.000 pessoas, a maioria no Irã, e gerou a maior disrupção no fornecimento de petróleo de todos os tempos. A Agência Internacional de Energia afirmou que a guerra criou a maior interrupção de oferta da história do mercado de petróleo.
Impacto na oferta de petróleo
O Irã depende fortemente de Kharg, por onde embarca cerca de nove em cada dez barris de suas exportações de petróleo, cuja maior parte vai para a China. Embora nenhum dos lados tenha informado evidências de danos à infraestrutura energética em Kharg, os ataques elevam os riscos para o petróleo em um conflito que já atingiu a produção e praticamente fechou o Estreito de Ormuz, fazendo os preços do petróleo subirem mais de 40%.
Os analistas do JPMorgan Chase & Co. afirmam que, se os píeres de carregamento, os tanques de armazenamento e os oleodutos da ilha permanecerem intactos, o impacto sobre a oferta de petróleo pode ser limitado. No entanto, o episódio eleva o grau de risco de um conflito que até agora havia poupado em grande medida a infraestrutura petrolífera da região.
- O terminal de exportação de Ras Tanura e o polo de processamento de Abqaiq, na Arábia Saudita, além de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, são vistos como “nós energéticos críticos e altamente vulneráveis”.
- Se a ilha de Kharg saísse de operação, isso provocaria rapidamente cortes de produção no upstream e colocaria em risco até metade da produção de petróleo do Irã.
- O país, antes visto como um dos últimos produtores do Golfo Pérsico a interromper a produção, poderia passar à frente de Kuwait e Emirados Árabes Unidos nesse processo.
Os especialistas acreditam que o ataque marca uma intensificação da atuação dos EUA contra infraestrutura crítica e contra as capacidades defensivas em torno da principal ilha petrolífera iraniana. O maior risco para o mercado de petróleo, e para a guerra, é saber se o Irã vai retaliar.
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