IA, Bolha e Risco Sistêmico: Entendendo o Boom Tecnológico
O debate sobre uma possível bolha em inteligência artificial (IA) tem ganhado destaque nos mercados globais. No entanto, para Artur Wichmann, CIO da XP Inc., é preciso ter cautela ao comparar o atual ciclo com grandes crises históricas. A principal diferença, segundo ele, está na forma de financiamento dos investimentos em IA, que não está sendo impulsionado por endividamento excessivo, mas sim por capital próprio das empresas.
Wichmann destaca que episódios que se transformam em depressões têm como elemento comum a contaminação do sistema de crédito. Ele afirma que “toda vez que uma recessão atinge o mercado de crédito, ela vira uma depressão”. Portanto, mesmo que parte dos investimentos em IA se revele equivocada e gere destruição de valor, o impacto tende a ficar restrito aos acionistas, sem provocar um colapso sistêmico.
Microeconomia da Tecnologia
A análise de Wichmann parte do conceito clássico de Keynes, o “tipping point”, ou ponto de não retorno, em que a economia deixa o equilíbrio e entra em um regime instável. No entanto, ele ressalta que o risco existe, mas o desenho atual do ciclo é distinto, justamente por não estar baseado em endividamento.
As grandes empresas de tecnologia, que antes destinavam sua caixa a dividendos e recompras de ações, agora estão redirecionando recursos para investimentos massivos em infraestrutura e desenvolvimento de IA. A conta é simples: “Se o retorno for maior que o custo de capital, cria valor. Se for menor, destrói valor”. A incógnita é justamente qual será o retorno efetivo desses investimentos ao longo do tempo.
Os dados de mercado reforçam a mudança de dinâmica. Nos últimos anos, o Nasdaq e as gigantes de tecnologia superaram os demais índices, mas recentemente, o Russell 2000, que representa empresas mais ligadas à economia “real”, passou a ter desempenho superior. Isso pode indicar uma simples correção de valuations ou uma reaceleração cíclica, além da difusão dos ganhos de produtividade da IA para além das grandes plataformas.
Além disso, o banco central desempenha um papel importante na regulação da economia e pode influenciar a dinâmica do mercado. No entanto, é fundamental entender que o impacto da IA não se limita às grandes empresas de tecnologia, mas pode se difundir por toda a economia, elevando lucros e eficiência em um conjunto mais amplo de companhias.
- O boom tecnológico não deve virar uma nova crise devido à forma de financiamento dos investimentos em IA.
- A microeconomia da tecnologia está mudando, com as grandes empresas de tecnologia investindo em infraestrutura e desenvolvimento de IA.
- O retorno efetivo desses investimentos é uma incógnita, mas pode criar valor ou destruir valor, dependendo do custo de capital.
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