Entendendo o Juro do Tesouro IPCA+
O juro real da dívida pública brasileira voltou a atingir níveis próximos a 8%, mesmo com a inflação apresentando sinais de controle. No leilão realizado em 20 de setembro, o Tesouro Nacional vendeu o lote integral de NTN-B (Tesouro IPCA+) com vencimento em 2029 a uma taxa de 8,0475% ao ano. Isso levanta questionamentos sobre o porquê das taxas de juros dos papéis de inflação permanecerem altas, apesar da inflação ter apresentado resultados melhores em 2025.
De acordo com analistas do Itaú BBA, a curva de juros brasileira incorporou o maior prêmio de risco desde 2015 na virada de 2024 para 2025. Embora tenha havido uma redução relevante desse prêmio ao longo de 2025, essa redução se concentrou principalmente nos papéis prefixados. Os papéis do Tesouro IPCA+ continuam pagando mais de 8% nos prazos curtos e oscilam acima dos 7% nos prazos mais longos, indicando que o mercado ainda exige um retorno real elevado para investir nesses títulos.
Análise do Mercado
Segundo o Itaú BBA, o mercado reduziu parte do “colchão” de incerteza que havia sido precificado no fim de 2024, mas manteve uma exigência elevada de retorno real, principalmente nos vencimentos mais longos. Isso sugere que, apesar da inflação estar mais controlada, os investidores ainda buscam uma rentabilidade significativa para compensar os riscos associados à economia brasileira.
Para 2026, o Itaú BBA avalia que o ano tende a ser um “teste de maturidade” para a curva de juros. Com a inflação mais bem precificada e um prêmio de risco menor do que no início de 2025, o foco do mercado passa a ser os condicionantes remanescentes do juro longo. A esperada queda da Selic deve impactar principalmente o trecho curto da curva, enquanto um ajuste mais relevante no longo prazo exigiria uma nova compressão do prêmio de risco ou uma revisão do juro neutro.
Conclusão
Diante da expectativa baixa de que os juros longos cedam, o Itaú BBA recomenda que os investidores balizem suas expectativas na renda fixa. Após um ano em que já houve redução de prêmio, o recomendado para 2026 é carregar as aplicações até o vencimento, reduzindo a projeção de ganhos expressivos com a venda antecipada dos títulos mais longos. A seleção de pontos da curva e a disciplina de risco voltam a fazer diferença nesse cenário.
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