Malu Galli Reflete Sobre “Mulher em Fuga” e a Invisibilização da Mulher
A atriz Malu Galli estreou recentemente a peça “Mulher em Fuga” no Sesc 14 Bis, em São Paulo, e compartilhou suas reflexões sobre o espetáculo em uma entrevista à Vogue Brasil. A peça, adaptada por Pedro Kosovski a partir dos livros “Lutas e Metamorfoses de uma Mulher” e “Monique se Liberta”, do escritor francês Édouard Louis, acompanha a trajetória da mãe do autor e transforma uma história íntima em reflexão política urgente.
Malu Galli destaca que o espetáculo não se trata de uma sucessão de erros ou escolhas equivocadas, mas de um percurso moldado por engrenagens sociais que operam silenciosamente. “O que mais me fez refletir é a própria reflexão que o Édouard Louis traz no texto: como as faltas que acontecem na vida da Monique são todas partes de um mesmo sistema”, afirma a atriz. Esse sistema, segundo ela, é de “apagamento feminino, do trabalho feminino, da remuneração do trabalho feminino, da invisibilização do corpo feminino”.
A Identificação Inevitável
Malu Galli afirma que, mesmo para quem viveu outras experiências, a identificação com a personagem é inevitável. “Mesmo você tendo uma vida de privilégios, ainda assim você lida com esse sistema que oprime, que dificulta, que atravessa, que invisibiliza”, afirma. A atriz também destaca que a personagem Monique é “quase uma parábola impressionante de como uma mulher viveu essa trajetória em uma única vida” – um retrato que ultrapassa fronteiras geográficas e encontra eco em muitas histórias brasileiras.
A peça não se constrói apenas a partir da dor, mas também da pulsão constante de reinvenção e recusa silenciosa à paralisia. “Ela está sempre disposta a recomeçar, sempre disposta a conhecer algo que ainda não conhece”, observa a atriz. “Ela tem uma pulsão de vida, uma disposição para a felicidade muito grande, e isso é muito inspirador.”
Urgência e Reflexão
A encenação aposta na escuta como gesto político, e o texto de Édouard Louis chega ao palco já carregado de perguntas. “Tem a cena e o pós-cena já como uma pergunta que a gente devolve para a plateia”, diz Malu. O espetáculo não oferece respostas fáceis, mas propõe um campo de reflexão em que emoção e pensamento caminham juntos.
- A peça aborda temas como a invisibilização da mulher, o trabalho feminino e a remuneração do trabalho feminino.
- A atriz Malu Galli destaca a importância da beleza e da visualidade na arte, mesmo em histórias difíceis.
- O espetáculo é uma reflexão política urgente, especialmente no contexto brasileiro, onde a violência de gênero é um problema estrutural.
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