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Judicialização de Planos de Saúde: Um Desafio para o Futuro

A judicialização na saúde suplementar é um tema que tem ganhado destaque nos últimos anos, e um novo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) projeta que o número de ações judiciais pode alcançar 1,2 milhão por ano até 2035, caso não haja coordenação institucional e reformas estruturantes.

De acordo com o estudo, o volume de ações judiciais relacionadas a planos de saúde já apresentou um crescimento expressivo entre 2020 e 2024, com um aumento de 112% e alcançando 298,7 mil novos processos no último ano. Isso representa uma nova ação a cada 1 minuto e 45 segundos.

Principais Motivadores da Judicialização

Os principais motivadores da judicialização são:

  • Demandas por medicamentos: 35% dos casos
  • Tratamentos médico-hospitalares: 30% dos casos
  • Reajustes contratuais: 20% dos casos
  • Órteses, próteses e materiais especiais: 10% dos casos
  • Home care: 3% dos casos

Além disso, há uma forte concentração geográfica, com São Paulo respondendo por 38% das ações, seguido de Rio de Janeiro (15%), Minas Gerais (9%) e Rio Grande do Sul (8%).

Impacto Financeiro

A judicialização tem um impacto significativo no setor de saúde suplementar, com estimativas de que tenha consumido R$ 17,1 bilhões entre 2019 e 2023. Em paralelo, o setor movimentou R$ 350 bilhões em receitas em 2024, com lucro líquido de R$ 11,1 bilhões.

Para José Cechin, superintendente executivo do IESS, o estudo evidencia que o tema exige ação coordenada e imediata. “A judicialização não é apenas um fenômeno jurídico; é um indicador de que nossas estruturas de diálogo, regulação e mediação ainda não estão funcionando como deveriam.”

Projeções para o Futuro

O IESS projeta três cenários para o futuro:

  • Pessimista: até 1,2 milhão de processos anuais
  • Realista: estabilização em torno de 400 mil ações/ano
  • Otimista: redução para cerca de 170 mil ações, com fortalecimento de mediação pré-processual, criação de NAT-Saúde Suplementar e maior transparência regulatória

Para Cechin, o futuro depende da capacidade coletiva de implementar reformas. “Nosso desafio é construir um sistema que funcione para todos, sem precisar do Judiciário como mediador permanente.”

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