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Entendendo a Latência em Transmissões de Futebol

Quem nunca se sentiu frustrado ao ouvir o vizinho gritar “gol!” antes de ver a jogada na TV? Esse fenômeno não é uma questão de sorte, mas sim de tecnologia. A latência, ou o atraso entre o momento em que o gol acontece no estádio e o segundo em que ele aparece na tela, é o principal responsável por essa diferença.

De acordo com Marcelo Eduardo Pellenz, engenheiro eletricista e professor da PUCPR, a latência é “o intervalo de tempo entre o momento em que um evento realmente ocorre e o momento em que o telespectador assiste a esse acontecimento na tela”. Para entender melhor essa matemática do atraso, é importante analisar o caminho do sinal.

O Caminho do Sinal: TV Aberta x Satélite

A TV aberta terrestre é a campeã incontestável da velocidade, apresentando o menor atraso para o público geral. Isso ocorre porque o sinal é transmitido via ondas de rádio diretamente para as antenas dos telespectadores, passando por menos etapas de processamento. No sinal digital tradicional, o tempo de processamento costuma prender o atraso entre 6 e 8 segundos.

Já a transmissão ao vivo via satélite adiciona cerca de 0,24 segundos apenas de deslocamento puro, devido à distância física que o sinal precisa percorrer. No entanto, o professor Luís Felipe Mrad destaca que a distância não causa tanto impacto real se comparada à internet.

Processamento e Buffer

A resposta para o atraso no streaming e no YouTube está na forma como os dados são fragmentados e processados. O processamento do vídeo ao longo do caminho pesa muito mais do que o tempo de viagem do sinal. O professor Luís Felipe Mrad explica que “o grande vilão ali vai ser a segmentação dos dados e a parte do buffer”.

No streaming, o vídeo é fatiado em pequenos blocos conhecidos como chunks. Se o sistema adota blocos de 4 segundos, por exemplo, ele precisa necessariamente esperar esses 4 segundos de tempo real passarem para conseguir fechar e enviar o primeiro arquivo de dados. Além disso, as plataformas utilizam o buffer, armazenando segundos de vídeo em cache antes de exibir as imagens.

  • A segmentação dos dados é um dos principais fatores que contribuem para a latência no streaming.
  • O buffer é utilizado para evitar que a transmissão fique travando caso a conexão do usuário oscile.
  • A latência do streaming se eleva consideravelmente devido aos atrasos de codificação, os múltiplos “pedágios” por roteadores e servidores, e a decodificação final do aplicativo.

Em resumo, a latência em transmissões de futebol é principalmente causada pelo processamento do conteúdo. Na TV aberta, há menos etapas intermediárias, enquanto no streaming, cada segundo precisa ser convertido, enviado, armazenado e reconstruído antes de aparecer na tela.

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