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Violência ginecológica e obstétrica: o que é e como reconhecer?

Violência ginecológica e obstétrica: um problema ignorado

A violência ginecológica e obstétrica é um problema que afeta milhares de brasileiras todos os anos. Esse tipo de violência engloba práticas que vão desde a deslegitimação da dor e a ausência de informação e consentimento até intervenções invasivas ou sem indicação clínica clara em atendimentos ginecológicos, no pré-natal, parto, aborto ou puerpério.

Um exemplo claro de violência ginecológica e obstétrica é o caso de Marta Noriko Nomura Takara, que engravidou de sua primeira filha durante a juventude. Ela foi atendida por um ginecologista que pressionou sua barriga com força excessiva, causando a perda do líquido amniótico e, posteriormente, a morte do feto.

Exemplos de violência obstétrica

Entre os exemplos mais comuns de violência obstétrica estão:

  • Uso indiscriminado de ocitocina para acelerar o parto
  • Episiotomia, um corte entre a vagina e o ânus para ampliar a passagem do bebê
  • Ponto do marido, uma prática invasiva que visa estreitar a vagina
  • Tricotomia, a retirada dos pelos pubianos sem necessidade clínica
  • Litotomia, a posição em que a mulher permanece deitada, com as pernas elevadas e apoiadas, sem necessidade clínica ou consentimento
  • Manobra de Kristeller, uma técnica desaconselhada pelo Ministério da Saúde que consiste em aplicar pressão sobre o fundo do útero para acelerar a saída do bebê

Essas práticas podem causar traumas psicológicos, dor, desconforto e complicações físicas e emocionais. Além disso, a falta de informação e consentimento pode levar a decisões médicas que não são adequadas para a paciente.

Segundo dados da Fiocruz, até dois terços das gestantes no Rio de Janeiro sofreram algum tipo de violência obstétrica. A nível nacional, dados de 2011 e 2012 indicavam que cerca de 30% das mulheres atendidas em hospitais privados relataram esse tipo de experiência; no SUS, o percentual chegava a 45%.

A prática vem diminuindo ao longo dos últimos anos, e se aproximando da meta de 8% estipulada pela OMS. No entanto, ainda é necessário mais esforço para erradicar a violência ginecológica e obstétrica e garantir que as mulheres recebam atendimento médico adequado e respeitoso.

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