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Victor Fidelis: “Para corpos marginalizados, o espaço íntimo é o lugar onde podemos existir em nossa plenitude”

Victor Fidelis: O Artista que Redefine a Intimidade e a Identidade Negra

O artista plástico Victor Fidelis, de 32 anos, é um nome que tem ganhado destaque na cena artística brasileira. Com uma formação em Arquitetura e Urbanismo pela USP e autodidata na pintura, Fidelis começou a pintar em 2020 e, em poucos anos, saiu das redes sociais para as paredes de galerias e instituições.

Seu trabalho se concentra em retratar corpos negros em estado de intimidade, cenas de casa, de fim de tarde, de convívio e de ócio, gente próxima retratada com afeto em interiores montados plano a plano. Essa escolha é uma resposta à pergunta que o artista persegue desde o começo: como colocar pessoas negras nas posições de destaque que a história da arte raramente lhes reservou.

  • Para Fidelis, a resposta começa em casa, onde cresceu rodeado de pintura e desenho, influenciado por sua mãe e tia, formadas em Artes.
  • A pesquisa de linguagem vem desde os 10 anos, e aos 17, seu desenho-base já se aproximava bastante do que produz hoje.
  • A formação em Arquitetura e Urbanismo trouxe referências acadêmicas em História da Arte e ajudou a estruturar os desenhos que já fazia.

O contato com a pintura brasileira veio antes da escola, dentro de casa, com Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Cândido Portinari. Essa influência aparece até hoje no jeito de simplificar as figuras e misturar tradição modernista com objetos do cotidiano e marcas que já fazem parte da nossa experiência visual.

Para Fidelis, o espaço íntimo é o lugar onde podemos existir em nossa plenitude, especialmente para corpos marginalizados. Seu trabalho é um exercício de autoconhecimento, um autorretrato indireto que busca entender quem somos quando não somos apenas as construções sociais e culturais que atravessam nossos corpos.

A cena íntima, para ele, tem peso político, e o retrato da intimidade, do convívio e até mesmo do ócio acaba sendo uma reivindicação de humanidade. Com sua obra, Fidelis busca redefinir a identidade negra e a intimidade, criando um espaço onde os corpos negros possam existir em sua plenitude.

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