Resistência a Medicamentos como o Ozempic: Uma em cada 10 Pessoas pode ser Afetada
Uma nova pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Oxford e do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique revelou que cerca de uma em cada dez pessoas pode apresentar resistência a medicamentos baseados em GLP-1, um hormônio intestinal que regula a glicemia e aumenta a saciedade. Essa descoberta foi publicada na revista Genome Medicine e pode ter implicações significativas para o tratamento de pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade.
Os pesquisadores identificaram variantes genéticas específicas que estão associadas a um fenômeno chamado “resistência ao GLP-1”. Nesses casos, embora os níveis do hormônio sejam mais elevados, sua eficácia biológica é reduzida. Isso significa que pacientes com essas variantes genéticas podem ter mais dificuldade em reduzir os níveis de glicose no sangue, mesmo após meses de tratamento.
Genética e Resistência ao GLP-1
Os cientistas concentraram a investigação em variantes do gene responsável pela enzima peptidilglicina alfa-amidante monooxigenase (PAM), essencial para ativar diversos hormônios no organismo, incluindo o GLP-1. A expectativa inicial era que alterações nesse gene reduzissem os níveis do hormônio. No entanto, o que os pesquisadores encontraram foi o oposto: pessoas com essas variantes apresentaram níveis mais altos de GLP-1 circulante.
Os testes também mostraram que essa resistência não afeta outros medicamentos comuns para diabetes, como metformina ou sulfonilureias, sugerindo que o fenômeno é específico aos fármacos que atuam na via do GLP-1. Além disso, os resultados levantam a possibilidade de que versões de ação prolongada dos medicamentos possam contornar parcialmente essa resistência.
Implicações para o Tratamento
A análise de dados clínicos com mais de mil participantes mostrou que pacientes com variantes genéticas tiveram menor sucesso na redução da HbA1c, considerado um indicador importante do controle glicêmico. Após seis meses de tratamento, apenas cerca de 11,5% a 18,5% desses indivíduos atingiram as metas recomendadas, contra 25% dos pacientes sem variantes.
Os resultados também destacam a importância de compreender melhor a resistência ao GLP-1 para desenvolver terapias mais personalizadas. Entre as possibilidades estão o desenvolvimento de medicamentos que aumentem a sensibilidade ao hormônio ou formulações mais eficazes para pacientes com predisposição genética.
- Uma em cada 10 pessoas pode apresentar resistência a medicamentos baseados em GLP-1.
- Variantas genéticas específicas estão associadas a um fenômeno chamado “resistência ao GLP-1”.
- A resistência não afeta outros medicamentos comuns para diabetes.
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