Uber cobra mais caro com bateria baixa? Entenda a precificação por vigilância
Uma teoria recorrente nas redes sociais sugere que aplicativos de carona, como o Uber, aumentariam o preço das corridas quando o celular do usuário está com bateria baixa. Essa hipótese foi impulsionada por um vídeo do publicitário e especialista em tecnologia Thiago Salvador, que viralizou no Instagram e trouxe à tona o conceito de precificação por vigilância.
Para investigar a hipótese, o TechTudo realizou testes próprios, que não permitiram estabelecer uma relação direta entre o nível de bateria e o valor das corridas. Além disso, a Uber nega utilizar esse dado na definição dos preços. No entanto, o debate levanta questões sobre como funcionam os algoritmos de precificação e até que ponto seus critérios são transparentes para o consumidor.
Thiago Salvador afirma que plataformas como Uber e iFood têm um arsenal de informações sobre seus usuários para personalizar seus serviços. “Quando clicamos em ‘aceito’ nos termos de uso, damos permissão para uma coleta extremamente ampla, muitas vezes sem perceber”, explicou. Ele também destaca que a linha entre o uso legítimo e o abuso desses dados é tênue.
Para tentar entender se o nível de bateria no smartphone poderia influenciar os preços do Uber, o TechTudo realizou um teste prático. De um mesmo ponto em São Gonçalo (RJ), simulei uma corrida até o Terminal João Goulart, em Niterói (RJ), trajeto de cerca de 20 quilômetros, utilizando dois celulares diferentes, um iPhone e um smartphone Samsung.
Os resultados mostraram que os preços das corridas foram diferentes em cada aparelho, mas não foi possível estabelecer uma relação direta entre o nível de bateria e o valor das corridas. A Uber afirma que o nível de bateria do celular não é utilizado como critério para definir o valor das corridas, e que a principal variável que influencia o preço é o chamado preço dinâmico, mecanismo que ajusta os valores de acordo com a relação entre oferta de motoristas e demanda de passageiros em tempo real.
Embora o Uber detalhe os princípios gerais do sistema, os critérios específicos utilizados nos cálculos não são totalmente divulgados, o que dificulta ao usuário compreender por que uma mesma corrida pode custar valores diferentes em aparelhos distintos, mesmo em condições aparentemente semelhantes.
- A demanda por viagens em uma determinada área é maior do que o número de motoristas parceiros circulando na região naquele momento.
- O preço se torna dinâmico e o valor da viagem pode se tornar mais caro do que o habitual para aquele mesmo trecho.
- O preço dinâmico é aplicado para incentivar que mais motoristas se conectem ao aplicativo e, assim, os usuários tenham um carro sempre que precisar.
Em resumo, embora a teoria de que o Uber cobra mais caro com bateria baixa não tenha sido comprovada, o debate levanta questões importantes sobre a transparência dos algoritmos de precificação e a necessidade de maior clareza sobre os critérios utilizados para definir os preços.
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