Terremotos na Venezuela: como o Android avisou 11 milhões antes de tremores
Dois terremotos atingiram a região central da Venezuela na noite de 24 de junho, com epicentros próximos a San Felipe e Morón. O primeiro teve magnitude 7,2 e o segundo, registrado 38 segundos depois, chegou a 7,5, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Foi o evento sísmico mais intenso no país em mais de cem anos.
Antes do solo começar a tremer, 11,4 milhões de celulares Android dispararam alertas, segundo o Google. Em boa parte dos casos, as pessoas tiveram entre poucos segundos e até dois minutos para buscar abrigo antes do impacto. A Venezuela não possui um sistema nacional de alerta precoce para terremotos, por isso a ferramenta do Google pode ter contribuído para reduzir o número de vítimas.
Como funciona o alerta de terremotos do Android
O sistema, batizado de “Android Earthquake Alerts” (AEA), usa o acelerômetro presente nos smartphones, o mesmo componente responsável por girar a tela quando o aparelho muda de posição. Quando um celular parado detecta o movimento da onda P, a primeira gerada por um terremoto, ele envia um sinal anônimo com a localização aproximada para os servidores do Google.
A empresa cruza as informações recebidas de vários aparelhos próximos para confirmar a ocorrência do tremor, calcular sua intensidade e estimar sua extensão. A onda P se propaga mais rápido e causa menos danos do que a onda S, a responsável pela maior parte da destruição em um terremoto.
O sistema do Google aproveita o intervalo entre as duas ondas para emitir o alerta antes da chegada da fase mais perigosa do abalo. No caso da Venezuela, os primeiros sinais da onda P foram captados em cerca de três segundos, e os alertas começaram a ser enviados seis segundos depois.
Dois níveis de aviso
O Google só envia alertas para terremotos de magnitude igual ou superior a 4,5. Existem dois formatos: o “Be Aware” (Esteja ciente, em inglês) é destinado a tremores de menor intensidade, e o “Take Action” (Aja, ou Faça algo) ocupa toda a tela do celular, vem acompanhado de um sinal sonoro e é reservado para abalos mais fortes, com orientação direta para buscar proteção.
Para o sistema funcionar, o celular precisa estar conectado à internet e com localização e o recurso de alerta sísmico ativados, configuração que vem ligada por padrão nos aparelhos Android. O recurso está disponível em cerca de 100 países, segundo o Google.
- O sistema de alerta de terremotos do Android pode ser uma ferramenta valiosa para reduzir o número de vítimas em áreas propensas a terremotos.
- A tecnologia não é infalível e pode apresentar falhas, como ocorreu durante o terremoto na Turquia em 2023 e em um alerta falso emitido no Brasil em 2025.
- O uso de smartphones como sensores sísmicos pode ser uma solução eficaz para áreas que não possuem redes próprias de sensores sísmicos.
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