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Ter câncer pode proteger contra o Alzheimer? Estudo sugere que sim

Ter câncer pode proteger contra o Alzheimer? Estudo sugere que sim

Um estudo recente publicado na revista Cell sugere que o câncer pode exercer um efeito protetor contra a doença de Alzheimer. A pesquisa, conduzida com modelos animais ao longo de 15 anos, indica que uma proteína produzida por células tumorais pode viajar até o cérebro e ajudar a desfazer agregados amiloides que afetam a comunicação dos neurônios e pioram os sintomas do Alzheimer.

Para investigar a relação entre as duas doenças, a equipe desenvolveu um modelo experimental que combinava câncer e Alzheimer no mesmo organismo. Os resultados foram consistentes: os animais que receberam os tumores não apresentaram as placas cerebrais características da doença neurodegenerativa.

Mecanismo biológico compartilhado

A investigação seguinte concentrou-se nas proteínas secretadas pelas células tumorais. A lista foi reduzida a uma única candidata: a cistatina C. Experimentos posteriores demonstraram que essa proteína se liga diretamente aos componentes das placas associadas ao Alzheimer, ativando o TREM2, uma proteína presente em células imunológicas do cérebro responsáveis pela vigilância e limpeza de detritos celulares.

Os testes comportamentais realizados mostraram que os camundongos tratados apresentaram melhor desempenho cognitivo, sugerindo que a redução das placas teve impacto funcional. Isso representa um avanço relevante, ainda que parcial, e pode orientar o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas.

Implicações terapêuticas

A ativação do TREM2 foi ressaltada como especialmente interessante, já que essa proteína é vista como um alvo promissor para novos medicamentos. No entanto, os pesquisadores apontam uma questão crítica: a capacidade da cistatina C de atravessar a barreira hematoencefálica.

Se os resultados forem confirmados em humanos, acredita-se que eles possam orientar o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, possivelmente em combinação com outros fármacos. A relevância do estudo se torna ainda maior quando colocada em perspectiva histórica, considerando que há décadas médicos observam que câncer e Alzheimer raramente afetam a mesma pessoa.

  • A identificação de um possível mecanismo biológico compartilhado entre doenças opostas pode ser essencial para enfrentar uma das principais causas de demência no envelhecimento.
  • A compreensão das conexões entre doenças opostas pode levar a novas abordagens terapêuticas.
  • O estudo sugere que o câncer pode exercer um efeito protetor contra a doença de Alzheimer, o que pode ter implicações significativas para a prevenção e tratamento da doença.

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